São Paulo – O ex-vereador paulistano Milton Leite, 70 anos, passou a ser considerado foragido nesta quinta-feira (17) depois que a Justiça de São Paulo expediu um mandado de prisão contra ele. A Polícia Civil esteve em sua residência, mas não o encontrou.
Por meio de nota, Leite afirmou estar em viagem e prometeu se apresentar “em até 24 horas”. Ele nega qualquer envolvimento com o esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de ônibus da capital, investigação conduzida pelo Ministério Público.
Suspeita de vínculo com o PCC
Depoimentos de policiais militares ao Tribunal de Justiça Militar apontam o ex-vereador como “dono de fato” de uma concessionária de transporte coletivo cujo contrato foi cancelado sob suspeita de operar para o PCC. As investigações indicam que mais da metade das viações que atuam em São Paulo estaria comprometida.
Carreira política
Natural de Piraporinha, Milton Leite iniciou a vida pública em 1990, filiado ao PCB. Migrou depois para o MDB e, em 2008, ingressou no DEM, legenda que deu origem ao União Brasil, do qual preside o diretório paulista. Foi eleito para a Câmara Municipal pela primeira vez em 1996 e conquistou seis reeleições (2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020). Em 2016 e 2020 foi o segundo vereador mais votado da cidade, chegando a 132.716 votos no último pleito.
Leite presidiu a Câmara em três períodos: 2017, 2018/2019 (na gestão João Doria) e de 2021 a 2024 (nas administrações Bruno Covas e Ricardo Nunes). Ao longo dos mandatos, assumiu interinamente a Prefeitura por cerca de 100 dias, tempo recorde para um vereador.
Em 2024, anunciou que não disputaria novo mandato, mas manteve influência ao chefiar o União Brasil no estado, comandar a Federação União Progressista e indicar aliados, como Ricardo Teixeira, para a presidência da Câmara.
Reconhecimento e honrarias
Em junho de 2025, recebeu da Assembleia Legislativa o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, homenagem por trabalhos em mananciais, desenvolvimento urbano e habitação na zona sul da capital. Na cerimônia, declarou que o político “deve procurar não dar a palavra, mas, se der, honrar”.

Imagem: Internet
Base eleitoral e familiares
Com forte atuação no Grajaú e bairros vizinhos, Leite construiu uma base que inclui parentes e apadrinhados:
- Milton Leite Filho (Miltinho) – deputado estadual desde 2007.
- Alexandre Leite – deputado federal e ex-secretário de Relações Institucionais da Prefeitura.
- Apoio em 2024 a Silvinho, Silvão Leite e Pastora Sandra Alves, eleitos para a Câmara Municipal.
Atuação fora da política
No carnaval, é presidente de honra da Estrela do Terceiro Milênio, escola do Grajaú que chegou ao Grupo Especial. No futebol, disputou a vice-presidência do Corinthians em 2023, sem sucesso, e fundou o Esporte Clube Terceiro Milênio SAF para categorias de base. Também figura como sócio em construtoras, entre elas a Neumax.
Leite afirma que provará inocência e reitera que não está em fuga. A Justiça mantém o mandado de prisão ativo enquanto aguarda sua apresentação.
Com informações de Gazeta do Povo
