Belo Horizonte — A servidora pública estadual Juliana Alcântara Moreira Pereira, 42 anos, transformou as dificuldades enfrentadas pelo filho Gael Alexandre, de 6 anos, em uma cruzada pela acessibilidade na capital mineira. Desde 2019, a mãe já protocolou cerca de 1.042 reclamações em órgãos municipais, expondo buracos, calçadas irregulares, falta de rampas, lixeiras quebradas e outros obstáculos que impedem o menino, que tem paralisia cerebral e utiliza cadeira de rodas, de circular pela cidade.
Fiscalização diária
O trabalho de Juliana começou a ganhar força há quatro anos, quando as idas e voltas às terapias de Gael escancararam as barreiras urbanas. Segundo ela, os primeiros resultados apareceram somente dois anos depois das primeiras queixas.
A servidora relata que a rotina de inspeção recebeu até um apelido em família: Gael é o “Periquito Fiscalizador”. Nos trajetos para a escola, consultas médicas ou simples passeios, mãe e filho observam cada trecho das vias e espaços públicos. Ao detectar algum problema, Juliana registra a ocorrência nos canais oficiais da Prefeitura de Belo Horizonte, acompanha o andamento e, se necessário, faz novas cobranças ou recorre à Defensoria Pública de Minas Gerais.
Soluções criadas em casa
Para ampliar a mobilidade do garoto, Juliana adquiriu uma bicicleta adaptada de três rodas, na qual Gael viaja na parte dianteira. Além de garantir lazer, o equipamento ajuda o menino a movimentar passivamente as pernas.
As experiências da família são compartilhadas no perfil “Mamães Leoas Minas”, no Instagram, criado por Juliana para trocar informações com outras famílias de pessoas com paralisia cerebral.
Educação para a inclusão
No aniversário de seis anos de Gael, a mãe desenvolveu o jogo de tabuleiro “Turminha do Gael na missão de acessibilizar BH”, distribuído aos colegas de classe com o objetivo de ensinar, de forma lúdica, os desafios diários de quem tem deficiência. A iniciativa inclui ainda um baralho temático e materiais voltados a pais e professores.

Imagem: Internet
Alcance das denúncias
O levantamento pessoal de Juliana abrange desde pequenas falhas — como lixeiras danificadas — até problemas estruturais em clubes e áreas de lazer da capital. Ela já participou de audiências públicas para detalhar esses entraves e defender que acessibilidade envolve não apenas entrar em um local, mas usufruir dele plenamente.
Determinada, a mãe afirma que não busca privilégios, mas condições básicas para que o filho possa estudar, brincar e passear como qualquer criança. Enquanto as melhorias não chegam, Gael segue pelas ruas com o triciclo adaptado, e Juliana mantém a contagem de protocolos — um obstáculo de cada vez.
Com informações de Metrópoles
