Uma equipe internacional conduzida por Haozhu Fu, da Universidade de Pequim, identificou dezenas de estrelas hipervelozes do tipo RR Lyrae e empregou esses objetos como sondas naturais para desenhar o campo gravitacional e a distribuição de matéria — inclusive a matéria escura — no halo da Via Láctea.
Fugitivas cósmicas
Estrelas hipervelozes são astros que viajam rápido o bastante para escapar da atração gravitacional da galáxia. Ao percorrerem o espaço, carregam informações sobre o ambiente que atravessam. As RR Lyrae, escolhidas pelo grupo, pulsam de forma regular; essa característica permite medir distâncias com alta precisão, passo crucial para reconstruir trajetórias em três dimensões.
Como a busca foi feita
Os pesquisadores vasculharam catálogos com milhares de RR Lyrae, aplicaram filtros estritos em velocidade radial, brilho e curvas de luz e, ao final, destacaram 87 candidatas compatíveis com o status de hipervelozes. Dessas, parte exibe velocidades tangenciais excepcionalmente altas.
Dois focos principais
As estrelas selecionadas se concentram em dois grupamentos: um alinhado à direção do centro galáctico e outro nas proximidades das Nuvens de Magalhães, galáxias anãs companheiras da Via Láctea. O padrão sugere origens distintas — ejeções provocadas pelo buraco negro supermassivo no núcleo, via mecanismo de Hills, e expulsões ocorridas dentro das próprias Nuvens.
Imagem: s Raio-X NASA
Impulso para o mapa do halo
Ao rastrear o percurso dessas fugitivas, os astrônomos testam modelos do potencial gravitacional do halo galáctico e refinam estimativas sobre onde a matéria escura se concentra. Novas medições do satélite europeu Gaia, combinadas com dados espectroscópicos, deverão aprimorar as trajetórias calculadas e fortalecer o uso dessas estrelas como marcadores do contorno invisível que cerca a Via Láctea.
Com informações de Olhar Digital
