A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9) o tratado de livre-comércio com o Mercosul, encerrando 25 anos de negociações iniciadas em 1999 e criando a maior zona de circulação de bens entre blocos regionais, com alcance estimado entre 700 e 780 milhões de pessoas na Europa e na América do Sul.
O que muda
Segundo a Comissão Europeia, o texto elimina tarifas de importação sobre aproximadamente 91% do fluxo de bens entre os dois lados, adotando prazos graduais de implementação e salvaguardas para setores classificados como sensíveis.
Hoje, automóveis europeus pagam até 35% de imposto ao entrar no Mercosul, enquanto máquinas e produtos químicos enfrentam alíquotas de até 20%. Por outro lado, diversos itens agrícolas sul-americanos sofrem tarifas elevadas na chegada ao mercado europeu. O acordo reduz essas barreiras e incorpora regras voltadas a requisitos técnicos, certificações e procedimentos aduaneiros.
Impacto para o Brasil
Em Brasília, a ratificação é vista como fator de impulso ao agronegócio e à indústria nacional, pois amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores de alta renda. O governo também destaca a possibilidade de diversificar destinos de exportação, diminuir a dependência de poucos compradores e atrair novos investimentos produtivos.
Resistências internas
A França foi o principal foco de oposição até a etapa final. O presidente Emmanuel Macron alegava que os ganhos para a economia francesa seriam limitados e questionava eventuais impactos sobre padrões ambientais, sanitários e fitossanitários da União Europeia diante do aumento das importações agrícolas do Mercosul.
Cláusulas ambientais e trabalhistas
O tratado inclui capítulos dedicados a desenvolvimento sustentável, proteção ambiental, compromissos trabalhistas e mecanismo de solução de controvérsias, com a intenção de vincular a expansão do comércio a normas sociais e ambientais mais rigorosas.
Imagem: Atitude Tocantins
Contexto geopolítico
Analistas atribuem a conclusão do acordo ao ambiente internacional marcado por tensões comerciais e reconfiguração de cadeias produtivas. A União Europeia busca diversificar parceiros, enquanto o Mercosul procura previsibilidade e maior inserção em cadeias globais de valor. O fortalecimento da China como principal destino de commodities sul-americanas também estimulou Bruxelas a acelerar entendimentos com regiões estratégicas.
Com a ratificação, a UE e os países do Mercosul passam a dispor de um instrumento que, além de reduzir tarifas, pretende alinhar padrões de sustentabilidade e reforçar a integração econômica entre os dois lados do Atlântico.
Com informações de Atitude TO
