Brasília – 10 jan. 2026 – Recém-criado e já habilitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Partido Missão pretende concorrer ao Palácio do Planalto em 2026 com um programa que prevê três eixos principais: ofensiva contra o crime organizado, combate à compra de votos financiada por recursos públicos e um ajuste fiscal severo.
Em entrevista à Gazeta do Povo, o presidente da sigla e pré-candidato à Presidência, Renan Santos, afirmou que quer aplicar, contra facções como Comando Vermelho e PCC, métodos semelhantes aos utilizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em inquéritos sobre atos antidemocráticos. Santos defende princípios próximos ao chamado “direito penal do inimigo”, que prevê tratamento mais rígido a integrantes de organizações criminosas.
Plano para segurança pública
Segundo o dirigente, a Missão apresentará projeto de lei ao Congresso para estabelecer regras objetivas de perseguição penal a membros de facções, com punições rápidas e duras. “O inquérito do ministro Alexandre de Moraes já provou ser eficiente; queremos redirecionar essa experiência para quem controla o crime nas comunidades”, declarou.
Fim do “orçamento secreto” das emendas
O partido promete atacar o que chama de “pirâmide de compra de votos” sustentada por emendas parlamentares, fundos partidário e eleitoral. A ideia é condicionar repasses federais ao desempenho de prefeituras e governos estaduais em indicadores de educação, saúde e segurança, reduzindo o espaço do Centrão no Orçamento.
Ajuste fiscal sem exceções
Para conter um risco de colapso das contas públicas a partir de 2027, Santos propõe um “super ajuste” que possa atingir inclusive programas sociais. “Todo mundo sabe que a situação fiscal vai estourar; se não houver corte de gastos, o país quebra”, afirmou.
Ruptura geracional
Com 41 anos, Renan Santos defende que a geração de brasileiros nascidos depois de 1980 assuma o comando do país. Ele diz que millenials e integrantes da geração Z vivem um “senso de urgência” diante de promessas não cumpridas pelas gerações anteriores.
O Partido Missão se define como direita liberal aberta à tecnologia e contrária a pautas identitárias da esquerda, mas evita o discurso religioso e nacionalista adotado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre as referências teóricas do grupo estão Raymundo Faoro, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, além da chamada “direita tech” norte-americana.
Imagem: Gazeta do Povo
Estratégia eleitoral
Santos reconhece que eleitorado de baixa renda, principal beneficiário de programas sociais, tende a manter voto na esquerda, mas aposta em conquistar trabalhadores de centros urbanos do Nordeste e de outras regiões que, segundo ele, “não querem viver dependentes do assistencialismo”.
O pré-candidato também critica o que chama de “conservadorismo performático” de líderes bolsonaristas e garante que a Missão adotará políticas baseadas em evidências para fortalecer família, soberania nacional e liberdade de expressão – esta última com limitações a conteúdos que façam apologia a facções durante o período que o partido chama de “guerra ao crime organizado”.
A legenda foi aprovada pelo TSE em novembro de 2025, conta com origem no Movimento Brasil Livre (MBL) e prepara convenção nacional para oficializar a candidatura de Renan Santos no segundo semestre de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo
