O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deverá começar, nos próximos dias, a pagar até R$ 41 bilhões a cerca de 1,6 milhão de clientes do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. A estimativa foi confirmada por fontes ouvidas pelo portal Valor Investe.
Processo de validação dos dados
A equipe interna do Banco Master já entregou à EFB Regimes Especiais — empresa responsável pela liquidação — a relação de credores e respectivos valores, limitada a R$ 250 mil por CPF. A EFB é comandada por Eduardo Félix Bianchini, ex-servidor do BC que atuou nas liquidações de BVA, Cruzeiro do Sul e Gradual Corretora.
Neste momento, a liquidante revisa as informações com apoio do FGC. Segundo o advogado Thiago Quintanilha de Almeida, do escritório Chatack, Faiwichow e Faria, o fundo só libera os recursos após validar CPF, montantes e limites de garantia. Qualquer inconsistência devolve o processo “à estaca zero”.
Maior desembolso da história do FGC
O valor a ser pago representa o maior desembolso já realizado pelo FGC, equivalente a aproximadamente um terço das reservas atuais do fundo, de R$ 122 bilhões. Até então, o recorde pertencia ao Bamerindus, cuja falência em 1997 demandou R$ 3,7 bilhões (cerca de R$ 19,9 bilhões em valores atuais) e indenizou 3,9 milhões de correntistas.
Demora superior à média
Desde o fechamento do Master já se passaram 55 dias sem remuneração dos valores aplicados. Nas últimas seis intervenções em que o FGC precisou ser acionado, o prazo médio de ressarcimento foi de 27 dias — o caso mais rápido foi o do Banco Neon, liquidado em 2018, com 14 dias de espera. A atual demora é a maior desde a liquidação do Banco Rural, em 2013, quando os clientes aguardaram 98 dias. O recorde negativo permanece com o Banco de Financiamento Internacional (BFI), que levou três anos e oito meses para pagar seus credores após ser fechado em 1996.
Fatores que alongam o cronograma
A extensão do prazo é atribuída à necessidade de checagem manual de dados, já que o Master operava com cessão de carteiras e distribuiu produtos por diversas plataformas. Além disso, questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), apresentados pelo ministro Jhonatan de Jesus, adicionaram etapas burocráticas ao processo. Com a recente resolução dessas pendências e o reconhecimento da liquidação pela Justiça dos Estados Unidos, o risco de reversão foi afastado, destravando os pagamentos.
Como solicitar a garantia
Para receber o reembolso, o investidor deve:
Imagem: Rovena Rosa
- baixar o aplicativo do FGC;
- fazer o cadastro;
- informar uma conta bancária para crédito dos valores.
Estão cobertos depósitos e aplicações em CDB, LCI, LCA, LC, LH, LCD, poupança, contas-salário, depósitos à vista e a prazo, além de operações compromissadas lastreadas em títulos emitidos após 8 de março de 2012. O FGC paga o saldo final (principal + rendimentos) apenas até 18 de novembro de 2025, data da liquidação; valores que excedam R$ 250 mil por CPF não são cobertos.
Sobre o total ressarcido incidem Imposto de Renda e, quando aplicável, IOF. As alíquotas de IR para CDBs variam de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias).
Com a validação dos dados praticamente concluída, a expectativa é que o crédito comece a ser efetuado ainda nesta semana ou no início da próxima, encerrando a espera dos investidores.
Com informações de Gazeta do Povo
