Um trabalho publicado na revista Communications Earth & Environment indica que as colossais pedras de Stonehenge foram levadas ao local por grupos humanos pré-históricos, e não arrastadas por geleiras durante a última era glacial, como defendia uma corrente de arqueólogos.
O estudo, conduzido por geólogos da Universidade Curtin, na Austrália, analisou mais de 700 grãos microscópicos de zircão e apatita retirados de sedimentos de rios ao redor da planície de Salisbury, no sul da Inglaterra. Esses minerais, considerados “impressões digitais” das rochas de origem, apresentaram idades entre 1,7 bilhão e 60 milhões de anos, compatíveis apenas com formações locais.
Ao comparar os resultados, os cientistas não encontraram qualquer correspondência mineral com as Colinas de Preseli, no País de Gales, nem com formações da Escócia — regiões de onde vieram os chamados megálitos azuis e a Pedra do Altar presentes em Stonehenge. A ausência de vestígios “alienígenas” levou os autores a concluir que as geleiras nunca avançaram até Salisbury na última glaciação.
Viagem de centenas de quilômetros
Com a hipótese glacial descartada, resta a possibilidade de um transporte organizado por populações neolíticas. As pedras azuis, que pesam até quatro toneladas, teriam sido extraídas no oeste do País de Gales e levadas por cerca de 225 quilômetros por terra. Já a Pedra do Altar, de 6,6 toneladas, pode ter percorrido mais de 500 quilômetros desde o norte da Inglaterra ou mesmo da Escócia, provavelmente com apoio de embarcações para cruzar trechos marítimos.
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Stonehenge, erguido há cerca de 5 mil anos, segue como um dos maiores desafios logísticos da pré-história. Segundo os autores, o novo resultado reforça a capacidade de planejamento, organização e conhecimento de engenharia das comunidades que habitavam a Grã-Bretanha no período.
Com informações de Olhar Digital
