','

'); } ?>

Toffoli e Moraes rejeitam proposta de código de ética de Fachin e expõem divisão no STF

Brasília – Dois dias depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, anunciar a intenção de instituir um Código de Ética para a Corte, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes utilizaram a sessão plenária desta quarta-feira (4) para criticar abertamente a iniciativa e afirmar que a magistratura já está submetida a controles suficientes.

Reação contrária em plenário

Durante o julgamento que analisava os limites de uso de redes sociais por juízes – tema disciplinado pela Resolução nº 305/2019 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – Toffoli e Moraes disseram não reconhecer falhas éticas no tribunal e classificaram a discussão sobre novas regras como desnecessária.

Moraes argumentou que “não há carreira pública com tantas vedações quanto a magistratura” e que críticas recentes configurariam ataques. Ele vem sendo questionado por possível conflito de interesses após encontro com dirigentes do Banco Central enquanto o escritório de sua esposa negociava contrato que poderia render honorários de até R$ 129 milhões para defender o banco Master.

O ministro também rechaçou qualquer restrição adicional a palestras e atividades acadêmicas. Segundo ele, exigir dedicação exclusiva inviabilizaria até investimentos pessoais: “Se o juiz for acionista de banco, não poderia julgar ninguém do setor financeiro”, afirmou.

Toffoli defende patrimônio e cita “zerar o jogo”

Interrompendo Moraes em tom irônico, Dias Toffoli disse que a lógica levaria magistrados a “doar heranças”. Para ele, juízes podem possuir fazendas, empresas ou cotas acionárias desde que não participem da administração.

Ex-presidente do CNJ, Toffoli sustentou que a resolução de 2019 já impõe autocontenção suficiente e, ao mencionar que “agora temos uma resolução nacional, então vamos zerar o jogo”, indicou não ver espaço para um novo código de conduta. O ministro é alvo de críticas porque parentes mantiveram sociedade em hotel com cassino no Paraná, empreendimento que teve participação de fundo ligado ao banco Master.

Plano de Fachin perde fôlego

Na abertura do ano judiciário, na segunda-feira (2), Fachin convocou a ministra Cármen Lúcia para relatar a proposta de Código de Ética e defendeu ampliar transparência e integridade do Supremo. Após o embate público, porém, um almoço que reuniria os ministros para tratar do cronograma do projeto acabou adiado – a assessoria do STF atribuiu o cancelamento a “problemas de agenda”.

OAB pressiona por regras claras

No mesmo dia da discussão, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) remeteu ofício ao Supremo com sugestões para a elaboração do Código, pedindo normas que reforcem integridade sem “restrições indevidas” à atuação judicial. Participaram do documento representantes das 27 seccionais da entidade.

Segundo juristas ouvidos pela reportagem original, a troca de farpas expõe um tribunal dividido e sem consenso sobre como enfrentar questionamentos de credibilidade que ganharam força após o caso banco Master.

Com informações de Gazeta do Povo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *