Cães utilizam o rosto para “falar” com as pessoas, e essa habilidade é resultado direto do processo de domesticação iniciado há milhares de anos. Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) indica que a seleção artificial modificou a musculatura facial dos animais, tornando o movimento de levantar a sobrancelha – incomum em lobos – mais evidente e eficiente na comunicação com humanos.
Seleção favoreceu cães mais expressivos
Desde que passaram a viver ao lado das pessoas, foram privilegiados os indivíduos capazes de interpretar reações humanas e responder por meio de sinais visuais. Esses cães recebiam mais cuidado, proteção e alimento, perpetuando características que amplificam a comunicação não verbal.
Como os humanos leem o rosto canino
As pessoas são altamente visuais na interpretação de emoções. Mesmo sem compreender conceitos humanos de sentimento, os cães aprenderam a explorar expressões que geram respostas quase automáticas. Entre elas:
- Olhos grandes e arredondados: provocam instinto de proteção semelhante ao sentido diante de bebês;
- Sobrancelhas levantadas: associadas à atenção e curiosidade, reforçam a percepção de inteligência e conexão emocional;
- Boca levemente aberta: lembra um sorriso, sinalizando calma, sociabilidade e ausência de ameaça;
- Focinho enrugado: muitas vezes lido como confusão ou esforço cognitivo, despertando empatia imediata.
O que as expressões revelam
Embora não experimentem emoções complexas como as humanas, os cães sentem medo, alegria, ansiedade e excitação. As expressões refletem esses estados internos e também respondem ao ambiente. A chamada “cara de culpa”, por exemplo, costuma ser reação ao tom de voz e à postura do tutor, e não necessariamente a um reconhecimento do erro.
Variações entre raças e indivíduos
Raças de focinho curto e olhos grandes tendem a exibir emoções de forma mais evidente, enquanto cães de focinho alongado podem demonstrar sentimentos de maneira mais discreta. O nível de interação com o tutor também pesa: quanto maior o vínculo e o estímulo, mais recursos faciais o animal costuma usar.
Imagem: inteligência artificial
Observação do conjunto
Especialistas recomendam analisar rosto, postura corporal, posição das orelhas, movimento da cauda e contexto para interpretar corretamente a mensagem canina. Alguns exemplos de leitura combinada incluem:
- Olhos semicerrados e corpo relaxado – conforto;
- Olhar fixo e músculos tensos – alerta;
- Boca fechada e cabeça baixa – insegurança;
- Expressão solta e movimentos suaves – tranquilidade.
Assim, cada olhar ou contração muscular dos cães compõe uma forma silenciosa de diálogo que reforça a convivência entre as duas espécies.
Com informações de Olhar Digital
