Brasília – 17.fev.2026 – A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (17) quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia para investigar supostos vazamentos de informações da Receita Federal envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e seus parentes.
A operação, autorizada pelo STF após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), também impôs medidas cautelares aos investigados: monitoramento por tornozeleira eletrônica, afastamento de funções públicas, cancelamento de passaportes e proibição de deixar o país. Os nomes dos alvos não foram divulgados.
Pedido partiu do inquérito das Fake News
O rastreamento foi solicitado há cerca de três semanas pelo ministro Alexandre de Moraes dentro do inquérito das Fake News, instaurado em 2019 para apurar ataques à Corte. Moraes pediu verificação de eventuais quebras de sigilo de todos os ministros e familiares nos graus de parentesco definidos, além de envolver o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Auditoria interna na Receita
Paralelamente, a Receita Federal iniciou investigação interna para checar possíveis acessos irregulares aos dados fiscais de cerca de 100 pessoas, entre elas os 10 ministros do STF, pais, filhos, cônjuges e irmãos. Segundo a Receita, serão necessários cerca de 8 000 procedimentos, cruzando informações de 80 sistemas. Os relatórios são enviados diretamente ao gabinete de Moraes e o processo corre em sigilo.
Em nota, a Receita informou que já identificou acessos indevidos, que foram comunicados ao relator no STF. O órgão destacou tolerância zero com violações de sigilo fiscal, classificadas como pilar do sistema tributário, e afirmou ter instaurado investigação interna em conjunto com a PF. De 2023 para cá, sete processos disciplinares resultaram em três demissões e outras sanções.
Servidor do Serpro sob suspeita
A principal linha de apuração aponta que um funcionário do Serpro cedido à Receita teria consultado sem autorização os dados da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e a declaração de Imposto de Renda de um filho de outro ministro. O relatório final deve ser concluído após o Carnaval. Caberá à PF apurar se houve venda ou repasse dos dados a terceiros.
Reação interna no Supremo
Dentro do STF, alguns ministros questionam o fato de o pedido de rastreamento ter sido feito diretamente por Moraes, argumentando que medidas desse tipo deveriam partir da Presidência da Corte. Integrantes ouvidos reservadamente afirmaram que apenas o presidente, Edson Fachin, poderia formalizar a solicitação, e ainda assim mediante requerimento da PGR.
Imagem: Antônio o
Contexto de tensão após caso Master
A investigação ocorre em meio à crise deflagrada pela liquidação do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro e alvo de apurações da PF. Revelações sobre possíveis investigações irregulares de magistrados aumentaram a desconfiança dentro do Supremo. Parte dos ministros cogita abrir apuração interna sobre condutas da PF e da Receita.
Na semana passada, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou a Fachin mensagens entre Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel mencionando pagamentos à empresa Maridt, da qual o ministro Dias Toffoli é sócio. Toffoli confirmou participação societária, negou ter recebido recursos e deixou a relatoria do caso. O encontro do colegiado que tratou do tema também foi alvo de suspeita de vazamento para a imprensa.
As investigações seguem sob sigilo judicial.
Com informações de Gazeta do Povo
