Temperaturas cada vez mais altas durante o verão japonês levaram o país a adotar soluções incomuns para enfrentar a sensação térmica que, em algumas regiões, ultrapassa facilmente os 35 °C. De roupas com ventiladores embutidos a guarda-sóis de alta tecnologia, a estação mais quente do ano movimenta um setor bilionário voltado à proteção contra a radiação solar e à prevenção de insolação.
Vestimenta vira barreira física
Ao contrário do Brasil, onde a exposição ao sol costuma ser valorizada, os japoneses preferem evitar qualquer contato direto com os raios UV. Camisas de manga longa, luvas e braçadeiras fazem parte do cotidiano nas ruas de Tóquio. O mesmo vale para sombrinhas com revestimento interno preto que refletem o calor do asfalto e toalhas pequenas usadas no pescoço para absorver o suor.
Nesse contexto, guarda-sóis tecnológicos e acessórios como lenços com gel refrescante impulsionam um mercado estimado em bilhões de ienes, segundo levantamento citado pelo The Japan Times.
Tecnologia portátil ganha espaço
Empresas locais passaram a oferecer jaquetas equipadas com miniventiladores que inflam a peça e mantêm o ar circulando pelo corpo. Os modelos são vistos com frequência em canteiros de obras e centros de logística, onde ajudam a reduzir o risco de choque térmico entre operários.
Nas grandes cidades, máquinas de venda automática utilizam sensores de temperatura para sugerir bebidas frias ou isotônicas, enquanto lojas de conveniência comercializam sprays capazes de congelar o tecido das roupas por alguns instantes e adesivos refrescantes para a testa.
Alimentação adaptada à alta umidade
Para repor minerais perdidos pela transpiração, balas de sal e bebidas eletrolíticas são itens comuns nas prateleiras. À mesa, pratos tradicionais ganham versões frias: o macarrão Somen é servido em água com gelo, e a enguia grelhada aparece como fonte rápida de proteína. Entre as bebidas, o chá de cevada sem açúcar (Mugicha) substitui a água durante as refeições.
Sobremesas também mudam de perfil. A raspadinha de gelo Kakigori leva caldas de feijão doce ou chá verde, distanciando-se dos sabores de frutas tropicais populares no Brasil.
Imagem: inteligência artificial
Tradições que “refrescam” a mente
Histórias de terror são contadas nas noites de julho e agosto para provocar arrepios que, simbolicamente, aliviam a sensação de calor. Festivais Matsuri, por sua vez, recorrem a fogos de artifício e lanternas para afastar o azar, enquanto sinos de vento (Furin) difundem um som associado à brisa fresca.
Outro costume preservado é o Uchimizu, ato de jogar água no asfalto para acelerar a evaporação e reduzir a temperatura do ar nas vizinhanças.
Da moda urbana aos ritos comunitários, o Japão alia tecnologia de ponta e tradições seculares para tornar suportável o verão mais severo do calendário asiático.
Com informações de Olhar Digital
