Brasília (DF) – Internada na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 13 de janeiro de 2025, a dona de casa Maria Aparecida, 52 anos, ocupa a 31ª posição para uma amputação de urgência do pé direito. O procedimento é apontado pelos médicos como a única alternativa para conter uma infecção que avança há quase três décadas.
Infecção começou com pequeno nódulo
Segundo a filha, Denise Dutra, o problema teve início em 1996, quando um “caroço” surgiu após uma ferida no membro inferior. O quadro evoluiu para micetoma eumicótico, doença causada por fungos encontrados em solos contaminados e que costuma atingir trabalhadores rurais. Naquela época, Maria vivia em uma área agrícola de Alexânia (GO).
Com o passar dos anos, a lesão inchou e os medicamentos antifúngicos deixaram de surtir efeito. Exames mais recentes apontam comprometimento dos ossos; os médicos alertam para o risco de sepse caso o microrganismo alcance a corrente sanguínea.
Consequências físicas e emocionais
Sem conseguir andar há três anos, Maria utiliza cadeira de rodas. Atividades simples, como tomar banho ou circular pelo quintal, tornaram-se desafios diários. A dor é amenizada com analgésicos, tomados todos os dias.
A família relata impacto psicológico significativo. Denise afirma que a mãe teme agravamento repentino da doença, procura atendimento a cada duas semanas e faz acompanhamento psiquiátrico, com uso de antipsicótico.
Fila do SUS e recursos judiciais
Ao longo dos 27 anos de tratamento, Maria buscou auxílio em unidades de saúde de Goiás e do Distrito Federal. Atualmente, recebe acompanhamento no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Como não houve melhora, a equipe optou pela amputação, mas a espera pelo procedimento já soma 405 dias.
Imagem: Internet
Denise registrou reclamações na ouvidoria do SUS, que respondeu que a posição na fila pode variar conforme a entrada de novos casos prioritários, reclassificações de risco, cancelamentos ou redução de vagas cirúrgicas. A família também acionou a Justiça para obter medicamentos que não estavam disponíveis na rede pública.
Posicionamento oficial
Procuradas, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), administradora do HUB, não responderam até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
Com informações de Metrópoles
