O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e pastor presbiteriano André Mendonça exortou os frequentadores da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, a não se deixarem seduzir por propostas de ganho fácil nem por disputas de poder. A pregação ocorreu na terça-feira (24) e foi divulgada pelo próprio magistrado em sua conta oficial no Instagram.
Três formas de tentação
No sermão, Mendonça relacionou as três tentações enfrentadas por Jesus Cristo no deserto a desafios que, segundo ele, a igreja contemporânea também encontra: financeiro, político e espiritual.
“Não se submeta às propostas tentadoras no aspecto financeiro. Nosso coração pode desejar mais do que Deus quer nos dar”, afirmou. Sobre a segunda tentação, disse tratar-se do poder político e institucional, que pode se transformar “em armadilha do diabo” quando exercido sem princípios. “Meu conselho: não busque o poder, busque a Deus”, declarou. A terceira, de cunho espiritual, refere-se ao desejo de reconhecimento e vaidade: “Não almeje a honra humana; encha-se do Espírito Santo”.
Relator do caso Master
Desde 12 de fevereiro, Mendonça é o relator do inquérito que investiga o Banco Master. Ele substituiu o ministro Dias Toffoli, obrigado a deixar o caso depois de a Polícia Federal (PF) encontrar referências a seu nome no celular de Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira.
A PF também identificou:
- Participação de irmãos de Toffoli em sociedade com Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro;
- Contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Atuação junto à PF
Mendonça já se reuniu duas vezes com os delegados responsáveis pelo inquérito. Na primeira audiência, pediu um balanço das diligências realizadas e dos rumos da investigação. Na segunda, na segunda-feira (23), recebeu nova atualização sobre o andamento do caso.
Em 19 de fevereiro, o ministro restabeleceu o fluxo normal de perícias e depoimentos, revertendo determinação anterior de Toffoli que mantinha lacrados celulares e computadores recolhidos na segunda fase da Operação Compliance Zero. Antes da decisão de Mendonça, o material havia sido enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR), com autorização para que apenas quatro peritos da PF acompanhassem a extração dos dados.
Imagem: Gustavo Moreno
Indicação ao STF e trajetória política
Indicado ao Supremo em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro, que prometera escolher alguém “terrivelmente evangélico”, Mendonça vivenciou quatro meses de atraso até ser sabatinado pelo Senado, sob comando do então presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre (União-AP).
O episódio motivou o ministro a apoiar, em novembro passado, a futura indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF. Mendonça e Messias, membro da Igreja Batista Cristã de Brasília, participaram juntos de um culto no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não formalizou o nome de Messias ao Senado.
Ao relembrar sua própria experiência, Mendonça declarou na ocasião: “Não quero que um irmão passe pelo que eu passei”.
Com informações de Gazeta do Povo
