A Oracle apresentou nesta terça-feira (10) os resultados do quarto trimestre de 2025 e surpreendeu o mercado com alta de 22% na receita em comparação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho impulsionou os papéis da companhia, que avançaram 8% nas negociações estendidas em Nova York.
Previsão mais otimista para 2027
Em comunicado, a empresa de software elevou a expectativa de faturamento para o ano fiscal de 2027 para US$ 90 bilhões (aproximadamente R$ 464,3 bilhões), acima da estimativa de US$ 86,6 bilhões (R$ 446,8 bilhões) projetada por analistas consultados pela LSEG.
Guidance para o 4º trimestre fiscal
Para o próximo trimestre fiscal, a Oracle espera lucro ajustado entre US$ 1,92 e US$ 1,96 por ação (R$ 9,91 a R$ 10,11) e crescimento de receita entre 19% e 20%. O consenso da LSEG previa US$ 1,70 por ação e avanço de 20% na receita.
Resultados do 3º trimestre fiscal
- Lucro ajustado por ação: US$ 1,79 (R$ 9,24) — projeção: US$ 1,70 (R$ 8,77)
- Receita: US$ 17,1 bilhões (R$ 88,6 bilhões) — projeção: US$ 16,9 bilhões (R$ 87,1 bilhões)
- Lucro líquido: US$ 3,7 bilhões (R$ 19,1 bilhões), ou US$ 1,27 (R$ 6,55) por ação, frente a US$ 2,9 bilhões (R$ 15,1 bilhões), ou US$ 1,02 (R$ 5,26) um ano antes
Nuvem segue como motor de crescimento
A divisão de nuvem faturou US$ 8,9 bilhões (R$ 45,1 bilhões), alta anual de 44% e levemente acima do consenso de US$ 8,8 bilhões. Dentro do segmento, a infraestrutura de nuvem somou US$ 4,9 bilhões (R$ 25,2 bilhões), avanço de 84% — ritmo superior aos 68% registrados no trimestre anterior.
Entre os contratos fechados, a companhia citou acordos com Air France-KLM, Argonne National Laboratory, Lockheed Martin e SoftBank.
Oscilação das ações e pressão por IA
Apesar do resultado acima das expectativas, os papéis da Oracle acumulam queda superior a 50% desde o pico de setembro. Em 2026, a baixa é de 23%, enquanto o S&P 500 recua menos de 1% no mesmo intervalo. Investidores demonstram preocupação com o endividamento usado para financiar projetos de inteligência artificial (IA).
Financiamento e fluxo de caixa
A companhia registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 13,1 bilhões (R$ 68 bilhões) nos últimos 12 meses e planeja captar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões (R$ 232,1 bilhões a R$ 257,9 bilhões) no ano fiscal atual para ampliar a capacidade de sua infraestrutura de nuvem.
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Carteira de pedidos em alta
As obrigações de desempenho restantes (RPO) — receita futura contratada — quadruplicaram em um ano, atingindo US$ 553 bilhões (R$ 2,8 trilhões), ligeiramente abaixo da projeção de US$ 556 bilhões da StreetAccount. Segundo a Oracle, grande parte desse aumento vem de contratos de IA de grande porte financiados antecipadamente pelos clientes.
Data center em Abilene e reorganização interna
A empresa negou informações de que teria desistido de expandir um data center em Abilene, Texas, desenvolvido com a Crusoe para atender à OpenAI. De acordo com a Oracle, dois prédios já operam plenamente e o restante do campus segue dentro do cronograma.
No fim de fevereiro, a empresa anunciou uma rodada de financiamento de US$ 110 bilhões (R$ 567,5 bilhões) com participação de Amazon, Nvidia e outros parceiros. A Oracle também confirmou uma reorganização de equipes, atribuída ao ganho de produtividade proporcionado por modelos de IA que geram código automaticamente.
Matéria em atualização.
Com informações de Olhar Digital
