Pelo menos 12 legislativos estaduais norte-americanos discutem projetos que suspendem temporariamente a construção de data centers com consumo superior a 20 MW. As propostas visam avaliar impacto na rede elétrica, nas tarifas de energia e no meio ambiente diante da rápida expansão da inteligência artificial.
O debate ganhou visibilidade nesta semana, depois de a governadora do Maine, Janet Mills, vetar um texto que tornaria o estado o primeiro a impor a paralisação. Segundo a governadora, o veto buscou preservar empregos relacionados a empreendimentos já em andamento.
Principais eixos de análise
Em linhas gerais, os projetos estabelecem prazos de um a seis anos para que comitês estaduais revisem três pontos:
- Rede elétrica: capacidade de atender à demanda sem risco de apagões;
- Tarifas: possibilidade de aumento no custo da energia para consumidores residenciais;
- Meio ambiente: consumo de água para resfriamento e emissões associadas.
Estados com propostas de moratória ou auditoria
- Geórgia (HB 1012): impede novas licenças até março de 2027.
- Maryland (HB 120): condiciona obras à aprovação de regras sobre geração própria, incluindo fontes nucleares ou gás natural.
- Michigan (Resolução 240): suspende temporariamente incentivos fiscais estaduais.
- New Hampshire (HB 1265): propõe um ano de proibição para estudo ambiental.
- Minnesota (SF 4298): trava licenças até a entrega de relatório à Comissão de Serviços Públicos.
- Nova York (S9144): cria moratória estadual e exige plano para evitar repasse de custos às contas de luz.
- Oklahoma (SB 1488): pausa construções até novembro de 2029 para avaliar abastecimento de água, tarifas e mercado imobiliário.
- Carolina do Sul (H 5286): veta licenças ou incentivos até janeiro de 2028.
- Dakota do Sul (SB 232 / HB 1301): impõe suspensão de um ano focada em centros hiperescaláveis.
- Vermont (S 205): estabelece paralisação até julho de 2030 para criar arcabouço regulatório.
- Virgínia (HB 1515): bloqueia mudanças de zoneamento até que critérios de interconexão sejam atendidos.
- Wisconsin (LRB-6377/1): proíbe operações até a definição de regras que evitem repasse de custos de energia e água ao consumidor.
Em alguns estados, como Michigan e Dakota do Sul, legisladores também reconsideram benefícios fiscais bilionários concedidos a gigantes de tecnologia, questionando se os empregos gerados compensam a pressão sobre infraestrutura básica. Para analistas, as iniciativas representam um contraponto local aos incentivos federais destinados a manter os EUA na liderança global da inteligência artificial.
Imagem: Internet
Com informações de Olhar Digital
