Brasília — Depois de ver o advogado-geral da União, Jorge Messias, ter o nome barrado pelo Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontra forte resistência para preencher a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). A articulação de oposicionistas e do bloco de centro tenta adiar qualquer nova sabatina para depois das eleições presidenciais de outubro de 2026.
Votação expôs fragilidade do Planalto
Messias foi rejeitado em 6 de maio de 2026, quando 42 senadores votaram contra sua indicação. Parlamentares apontaram dois principais motivos para o revés: a ligação direta do indicado com Lula e a falta de diálogo prévio com as lideranças da Casa.
Alcolumbre é visto como peça-chave
Integrantes do centro político afirmam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tornou-se o “porteiro” da vaga. Segundo esses senadores, Lula só terá condições de aprovar um novo ministro se houver acordo completo com Alcolumbre, que controla a pauta de votações da Comissão de Constituição e Justiça e do plenário.
Incômodo com Flávio Dino
O desempenho do ministro Flávio Dino, empossado no STF no início de 2024, também influencia o clima atual. Senadores que apoiaram Dino dizem ter se decepcionado porque, já na Corte, ele atuou para restringir o pagamento de emendas parlamentares — recurso muito valorizado pelos congressistas. O episódio elevou a desconfiança sobre nomes considerados próximos demais ao Palácio do Planalto.
Estrategistas miram 2026 e até 2027
Líderes da oposição defendem empurrar a votação para depois do pleito nacional, transformando o perfil do futuro ministro em tema de campanha. Há ainda quem proponha aguardar até 2027, quando dois terços das cadeiras do Senado serão renovadas, o que mudaria a correlação de forças na Casa.
Imagem: Victor Pite
Comparação com caso norte-americano
Juristas consultados lembram o impasse de 2016 nos Estados Unidos. Naquele ano, o Senado, comandado pela oposição, se recusou a apreciar a indicação do então presidente Barack Obama ao equivalente à Suprema Corte, alegando tratar-se de ano eleitoral. A vaga acabou sendo preenchida por Donald Trump após vencer as eleições. Parlamentares brasileiros enxergam cenário semelhante se Lula insistir em nova indicação antes de outubro.
Enquanto o Planalto busca um nome que agrade tanto ao Executivo quanto ao Senado, o impasse mantém a cadeira no STF desocupada e aumenta a incerteza sobre quando o plenário da Corte voltará a operar com 11 ministros.
Com informações de Gazeta do Povo
