Minas Gerais registrou 912 vítimas de latrocínio entre 2015 e 2024, de acordo com estatísticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número coloca o estado na sétima posição nacional nesse tipo de crime, atrás de São Paulo (2.566), Pará (1.503), Rio de Janeiro (1.440), Bahia (1.426), Pernambuco (1.403) e Maranhão (932).
Perfil das vítimas
Dos 912 mortos em Minas, 782 eram homens, 129 mulheres e uma pessoa não teve o sexo informado. Especialistas apontam maior exposição masculina a situações de risco como possível explicação para a diferença.
Evolução anual
Em 2015, o estado contabilizou 44 vítimas de latrocínio, cinco delas em Belo Horizonte. Nos cinco primeiros meses de 2026, foram 11 vítimas em todo o território mineiro, sem ocorrências na capital. Os dados indicam queda de 59,26% em relação a 2015.
Subnotificação em debate
O advogado criminalista Paulo Crosara destaca que alguns boletins de ocorrência podem registrar o fato apenas como roubo, sem mencionar o parágrafo que caracteriza o latrocínio, o que tiraria esses casos das estatísticas oficiais. As forças de segurança negam subnotificação.
Diferença entre crimes
Segundo Crosara, o latrocínio ocorre quando a morte tem como objetivo viabilizar o roubo. Já na lesão corporal seguida de morte, o agressor pretendia apenas ferir, e o homicídio doloso pressupõe intenção direta de matar.
Pena prevista
O artigo 157 do Código Penal prevê reclusão de 24 a 30 anos para o latrocínio. A punição pode aumentar conforme circunstâncias como violência empregada, planejamento e agravantes relacionados às vítimas.
Imagem: Internet
Casal morto em Belo Horizonte
O debate sobre o tema ganhou força após o assassinato do advogado Cláudio Atala Inácio, 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76, encontrados mortos no apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Imagens de câmeras mostram uma mulher entrando no prédio em 29 de junho e saindo cerca de oito horas depois com sacolas e uma bolsa pertencente à vítima. Caixas com objetos subtraídos foram apreendidas, reforçando a suspeita de latrocínio. A investigada ainda não foi localizada.
Nos últimos dez anos, Belo Horizonte contabilizou 66 casos de latrocínio, enquanto o estado de Minas Gerais somou 912 vítimas.
Com informações de Metrópoles
