A Polícia Federal apura a conduta do perito criminal João Cláudio Nabas, lotado em Roraima, acusado de ter compilado informações sigilosas e produzido relatórios informais sobre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em dezembro de 2025. Segundo o inquérito, o objetivo seria vazar o material à imprensa para criar pressão popular por investigações contra os magistrados.
Como os documentos foram elaborados
Nabas integrava a equipe da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias no Banco Master. No contexto dessa operação, ele teve acesso ao conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Aproveitando a posição, selecionou mensagens e contatos que faziam menções aos ministros e reuniu tudo em arquivos em PDF.
O que havia nos dossiês
No caso de Alexandre de Moraes, o perito destacou um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Já o relatório sobre Dias Toffoli trouxe referências a negócios mantidos por familiares e por sua ex-mulher, incluindo participação em um resort de luxo no Paraná. As citações, porém, eram de terceiros; não havia mensagens diretas dos ministros.
Motivação apontada pela PF
Investigadores afirmam que Nabas teria agido por iniciativa própria, convencido de que a alta posição dos ministros dificultaria qualquer averiguação formal. Ao divulgar os documentos, esperava provocar reação da opinião pública e forçar a abertura de um inquérito no Supremo, algo que, pela Constituição, só pode ocorrer com autorização da própria Corte.
Medidas contra o perito
Em maio de 2026, Nabas foi alvo de mandado de busca e apreensão e acabou afastado das funções. Ele responde por vazamento ilegal de dados protegidos, quebra de protocolo e tentativa de induzir colegas ao crime, pois teria sugerido que outros policiais entregassem os relatórios à imprensa antes de qualquer publicação oficial.
Imagem: Internet
Operação Compliance Zero
Deflagrada pela PF, a Compliance Zero investiga um esquema para mascarar prejuízos do Banco Master, desviar recursos de fundos de previdência de servidores públicos e pagar subornos a políticos. O principal alvo, Daniel Vorcaro, permanece preso.
As apurações seguem em sigilo, e o perito ainda não apresentou defesa pública.
Com informações de Gazeta do Povo
