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PF investiga uso de vídeos íntimos de festas de Daniel Vorcaro para possível chantagem

A Polícia Federal apura se gravações de conteúdo sexual feitas em festas organizadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março, foram utilizadas para pressionar ou chantagear autoridades dos três Poderes. O material foi recolhido durante a operação Compliance Zero, que já soma nove fases e levou à liquidação do Banco Master em 2025.

Festas de alto padrão e acompanhantes estrangeiras

De acordo com investigadores ouvidos pela reportagem, os encontros reuniam políticos de diversos partidos, membros do Judiciário e empresários em ambientes luxuosos, com bebidas caras, charutos exclusivos e presença de acompanhantes, muitas delas estrangeiras. Um evento de três dias, realizado em Nova York em 2024, é citado como referência, mas a PF não descarta réplicas no Brasil e em outros países.

Os agentes buscam esclarecer se os vídeos serviram para forçar apoio institucional ao Banco Master ou a interesses de Vorcaro. Caso essa ligação seja confirmada, as imagens passarão a ser tratadas como prova de um esquema de chantagem, aumentando a gravidade do caso.

Foco também na logística e no financiamento

Uma segunda linha de investigação analisa o possível tráfico de pessoas e a exploração sexual de mulheres do Leste Europeu, supostamente levadas aos eventos em aeronaves pertencentes ao empresário. Outra frente verifica se as festas foram pagas com verbas desviadas de fundos de previdência estaduais e municipais ou de fraudes contra beneficiários do INSS.

Vazamentos e delações recusadas

Depois de relatos de compartilhamento de arquivos sigilosos, o ministro do STF André Mendonça suspendeu o acesso irrestrito aos dados e abriu inquérito sobre possíveis vazamentos. Desde então, a defesa de Vorcaro apresentou duas propostas de delação premiada à PF e à Procuradoria-Geral da República, ambas rejeitadas por “falta de novidades relevantes”, segundo fontes ligadas ao processo.

‘Festa das astronautas’

O tema voltou ao noticiário quando o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho disse ter visto um vídeo de 12 minutos onde participantes — homens nus e mulheres usando apenas capacetes semelhantes aos de astronautas — circulavam em uma das festas. Garotinho afirma não ter divulgado as imagens por estarem sob sigilo judicial.

Outros endereços de encontros

Relatórios internos da PF indicam que eventos similares ocorreram:

  • Na mansão apelidada de “Cine Trancoso”, em Trancoso (BA), durante feriados e verões;
  • Em jantares exclusivos na Brazil Week 2024, em Nova York;
  • No fórum jurídico de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”;
  • Durante conferências jurídicas em Londres, com degustações de uísque Macallan.

O Tribunal de Contas da União avaliou denúncias sobre possível uso de recursos federais nesses eventos, mas técnicos concluíram que não há indícios nesse sentido. A PF, contudo, mantém a análise sobre as fontes de financiamento.

Enquanto a conexão entre os vídeos e eventuais pressões sobre autoridades não for comprovada, o material permanece como peça acessória dos inquéritos da Compliance Zero, sob sigilo judicial e com acesso restrito para evitar novos vazamentos.

Com informações de Gazeta do Povo

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