Um estudo do Farol da Oposição, núcleo do Instituto Teotônio Vilela, projetou que a dívida bruta do setor público brasileiro chegará a 96,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 2026, último ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O cálculo usa dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e indica alta de 12,6 pontos percentuais em relação a 2022, quando o indicador estava em 83,9% do PIB.
Segundo maior avanço do G20
Com esse resultado, o Brasil aparece como o segundo país do G20 com maior expansão da dívida no período, atrás apenas da China, cuja elevação estimada é de 29,6 pontos percentuais. A alta supera a verificada em outras economias emergentes, como África do Sul (8,2 p.p.), México (8,9 p.p.) e Argentina, que, segundo o levantamento, tende a reduzir seu endividamento em 13,9 p.p.
Aproximação de patamares da crise de 2015-2016
Os percentuais projetados se aproximam dos níveis observados durante a recessão de 2015 e 2016, no governo Dilma Rousseff, quando a dívida bruta subiu de 61,6% para 77,4% do PIB.
Perspectiva de alta até 2030
As estimativas do FMI sugerem continuidade da trajetória ascendente. Entre 2026 e o fim do mandato presidencial seguinte, o indicador passaria de 96,5% para 105,5% do PIB, acréscimo de nove pontos percentuais.
Comparação com países da OCDE
Dentro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 38 economias, o Brasil apresenta uma das maiores variações. Apenas Finlândia (19,1 p.p.) e Polônia (16,9 p.p.) exibem projeções de aumento superiores.
Metodologias diferentes, números distintos
Quando se adotam os critérios do Banco Central e as projeções do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, a dívida passaria de 71,7% do PIB em 2022 para 83,6% em 2026, avanço de 11,9 p.p. A divergência ocorre porque o FMI computa todos os passivos do governo geral, enquanto o Banco Central exclui certos itens e o Tesouro Nacional concentra-se apenas na dívida federal.
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Avaliação da Instituição Fiscal Independente
Em relatório publicado em junho, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado prevê déficits primários permanentes e crescentes, dificuldades no cumprimento das metas fiscais e limites para conter o crescimento da dívida. Segundo o órgão, seria necessário um superávit primário anual de 2,1% do PIB para estabilizar a relação dívida/PIB. A IFI calcula que o endividamento bruto pode atingir 102% do PIB em 2032 e 115% em 2036.
Entre os riscos considerados estão os efeitos de conflitos no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e o impacto da reforma da tributação do consumo nas finanças de estados e municípios. Apesar de potenciais ganhos de eficiência econômica, o cenário fiscal permanece desafiador, conclui a instituição.
Com informações de Gazeta do Povo
