Brasília — 11.jul.2026 – O Plano Nacional de Mineração 2050, apresentado pelo governo Lula, projeta transformar o Brasil em protagonista mundial na produção de terras raras e elevar a participação da mineração no Produto Interno Bruto de 3,3% para 4,8% nas próximas décadas. A meta inclui a criação estimada de 800 mil postos de trabalho diretos, mas depende de reservas que ainda carecem de comprovação técnica.
Riqueza estratégica, dados imprecisos
Terras raras são 17 elementos químicos indispensáveis na fabricação de motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones e equipamentos de defesa. Enquanto a China domina quase todo o processamento global, o governo brasileiro sustenta haver 21 milhões de toneladas desses minerais no subsolo nacional – número baseado em levantamentos antigos de órgãos norte-americanos. Em 2026, o Serviço Geológico dos Estados Unidos reduziu a estimativa para 11 milhões de toneladas.
Especialistas destacam a diferença entre “recurso” (potencial identificado) e “reserva” (quantidade medida e economicamente viável). Segundo geólogos ouvidos pelo setor, a maior parte do território brasileiro continua sem mapeamento detalhado, o que impede a confirmação das cifras divulgadas pelo governo.
Obstáculos no caminho
Entre a descoberta de um depósito mineral e o início da extração costumam transcorrer cerca de dez anos. No Brasil, esse intervalo é ampliado por:
- Demora no licenciamento ambiental;
- Insegurança jurídica decorrente de disputas sobre a legislação do setor;
- Falta de investimentos em pesquisa geológica de alta resolução;
- Sobreposição de áreas mineráveis com regiões consolidadas do agronegócio, exigindo negociação prévia.
Produção atual é incipiente
Em 2024, a produção brasileira de terras raras somou apenas 20 toneladas, frente a 390 mil toneladas no mercado global. O único projeto de porte em operação é o complexo Serra Verde, em Goiás, ainda em fase de ramp-up. Para alcançar as metas de 2050, o país precisará de investimentos continuados em pesquisa, infraestrutura e garantias regulatórias que atraiam capital estrangeiro.
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Sem avanços nesses pontos, especialistas avaliam que o cronograma previsto pelo governo pode sofrer atrasos significativos, comprometendo a ambição de transformar o Brasil em fornecedor estratégico dessa cadeia mineral.
Com informações de Gazeta do Povo
