Um levantamento feito com o Telescópio Espacial Hubble indica que a galáxia de Andrômeda vem diminuindo seu ritmo de criação de novas estrelas há cerca de 500 milhões de anos, com desaceleração ainda mais forte nos últimos 40 milhões de anos. Os resultados do trabalho foram publicados nesta segunda-feira (30) no periódico The Astrophysical Journal.
Localizada a aproximadamente 2,5 milhões de anos-luz da Terra, Andrômeda é uma galáxia espiral de porte semelhante ao da Via Láctea. A relativa proximidade permite observações em detalhes de populações estelares, o que ajuda a reconstruir a história de sistemas equivalentes ao nosso.
Mapeamento de 200 milhões de estrelas
A equipe combinou dados dos levantamentos Panchromatic Hubble Andromeda Treasury e Panchromatic Hubble Andromeda Southern Treasury, que juntos cobrem cerca de dois terços do disco galáctico em alta resolução. Esse conjunto de imagens possibilitou analisar aproximadamente 200 milhões de estrelas individuais.
Os cientistas exploraram a diferença de cor e vida útil entre astros jovens e antigos para datar a atividade estelar. Estrelas mais massivas exibem tonalidade azulada e ciclo de vida curto, enquanto as menos massivas são avermelhadas e duradouras. Ao dividir as imagens em milhares de áreas de 300 anos-luz de lado, foi possível traçar o histórico de formação estelar em cada região do disco.
Taxas de formação ao longo do tempo
De acordo com o estudo, Andrômeda formava estrelas a um ritmo aproximado de uma massa solar por ano há 500 milhões de anos. Esse índice caiu para meia massa solar por ano há 40 milhões de anos e, atualmente, está em torno de um quinto da massa do Sol por ano.
Grande parte da atividade recente concentra-se em um anel situado a cerca de 32 mil anos-luz do centro da galáxia. A pesquisa aponta que a queda observada no ritmo global está fortemente ligada à redução de formação de estrelas exatamente nessa região.

Imagem: Joseph DePasquale STScI
Possíveis causas
Os autores sugerem que a desaceleração decorre de um enfraquecimento natural da atividade galáctica, e não da falta de gás e poeira para gerar novos astros. “É como depois de correr uma maratona: às vezes é preciso recuperar o fôlego”, comparou Tobin Wainer, pesquisador da Universidade de Washington e primeiro autor do artigo.
Os cientistas também investigaram se a galáxia satélite M32 (Messier 32) pode ter influenciado o processo. Embora separadas por cerca de 16 mil anos-luz no plano do céu, a posição tridimensional de M32 ainda é incerta. A região de Andrômeda próxima a M32 mostrou queda na formação estelar há cerca de 60 milhões de anos, o que pode indicar uma interação entre as duas.
A equipe pretende continuar a examinar os dados do Hubble e combiná-los com observações terrestres. Futuramente, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, previsto para lançamento a partir de domingo, 30 de agosto, deverá ampliar o campo de visão em infravermelho próximo em mais de 100 vezes em relação ao Hubble, permitindo observar todo o disco de Andrômeda e parte de seu halo.
Com informações de Olhar Digital
