Brasília — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quinta-feira, 2 de setembro de 2026, que enfrenta “ofensas e agressões inimagináveis” por sua atuação à frente do Congresso. O desabafo ocorreu durante sessão plenária marcada pela pressão de oposicionistas para que ele dê andamento aos pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
“As coisas estão muito difíceis no Brasil. Eu escuto ofensas todos os dias. O desejo do cidadão Davi era ir à tribuna e falar as verdades que essas pessoas mereciam ouvir”, declarou. Segundo o parlamentar, o cargo de presidente do Senado o obriga a moderar as próprias palavras.
Alcolumbre criticou senadores que, segundo ele, gravam vídeos no plenário apenas para obter engajamento eleitoral. “Tem colega que se acha no direito de fazer um vídeo agredindo as pessoas, com assessor filmando para ganhar curtida e tentar vencer a eleição de 4 de outubro”, disse, referindo-se a episódio ocorrido na véspera, 1º de setembro, sem citar nomes.
Pressão pelo impeachment de Moraes
No mesmo dia 1º, o senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, publicou vídeo em que cobra Alcolumbre a pautar o processo contra Moraes. A gravação, feita no corredor central do plenário, traz a legenda: “Carlos Viana pede impeachment e a convocação de Alexandre de Moraes, cara a cara com Alcolumbre”.
Apesar da cobrança, o presidente do Senado já indicou que não pretende incluir o tema na ordem do dia.
Elogio e críticas nas redes sociais
Durante a sessão, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) elogiou Alcolumbre por ter pautado a criação do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), aprovado simbolicamente após pedido do senador Flávio Arns (PSB-PR). Damares disse ter visto publicações prometendo “fiscalizar” quem prestasse elogios ao presidente da Casa.

Imagem: Internet
Alcolumbre aproveitou para afirmar que o ambiente virtual se transformou em “ditadura” de ataques. “É muito cômodo ofender atrás de um celular, de um robô ou de fake news. Quando não temos direito de discordar, estamos sob um regime totalitário”, afirmou, agradecendo a “coragem” de Damares.
O senador concluiu que pretende continuar a conduzir os trabalhos legislativos “no tempo certo”, apesar das pressões internas e externas.
Com informações de Gazeta do Povo
