Brasília — O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do liquidado Banco Master e alvo de investigação por fraude financeira, afirmou em depoimento sigiloso que o “sistema” de relações construído por ele para protegê-lo teria passado a atuar contra seus interesses por motivações políticas.
A audiência ocorreu a portas fechadas diante de um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), em 4 de setembro de 2026. A pedido do próprio investigado, a Polícia Federal (PF) não participou do interrogatório.
Rede de contatos nos três Poderes
Segundo a transcrição obtida pela reportagem, Vorcaro relatou ter mantido conexões com figuras influentes nos três Poderes da República para resguardar o banco e sua posição no mercado. Ele declarou que, ao sentir-se ameaçado, buscou auxílio desses contatos, mas acabou “traído” pela mesma estrutura.
O ex-banqueiro disse ainda acreditar que pessoas “do núcleo do poder” tentam impedir eventual acordo de colaboração premiada. Embora mencione pressões e ameaças à sua segurança, não identificou quem estaria por trás delas nem apresentou provas.
Mensagens recuperadas pela PF
O peso do relato aumentou após a divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro, publicadas por decisão de Mendonça. Conversas indicam que ele recorreu ao ministro Alexandre de Moraes para tentar adiar operações policiais que poderiam afetar o Banco Master. Nos diálogos, também menciona a necessidade de apoio do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Em uma das conversas, Vorcaro solicita que Moraes sensibilize Rodrigues a postergar uma ação da PF por causa de um feriado, alegando risco de colapso da instituição financeira. Em outra, demonstra preocupação com a proximidade das medidas e pergunta se Galípolo tinha conhecimento da situação.

Imagem: Internet
Legalidade ainda incerta
Especialistas em direito consultados pela reportagem destacam que, até o momento, não há elementos que comprovem ilegalidade no conteúdo das mensagens nem envolvimento direto das autoridades citadas. Para eles, o material evidencia a estratégia do empresário de recorrer a sua rede de contatos quando enfrentava dificuldades.
Os advogados de Vorcaro avaliam apontar nulidades processuais em meio à crise de credibilidade que atinge o STF desde a revelação das trocas de mensagens entre o ex-banqueiro e Moraes.
O processo segue sob relatoria de André Mendonça, que conduz as apurações sobre supostas fraudes financeiras e eventuais interferências indevidas em órgãos de controle.
Com informações de Gazeta do Povo
