O conceito de luxo no turismo ganhou novos contornos e levou a Amazônia a despontar como destino desejado por viajantes que buscam experiências exclusivas, sustentáveis e focadas na contemplação. Segundo especialistas e empresários do setor, a combinação entre natureza preservada, cultura local e serviços de alta qualidade transformou a região em referência mundial para o chamado “quiet luxury”.
Luxo sensorial e sustentável
Para Camilla Barretto, CEO da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), o luxo deixou de ser puramente material para se tornar “muito mais sensorial, autêntico e ligado à identidade do lugar”. Ela destaca que sustentabilidade e alto padrão de serviço caminham juntos no segmento: “O turista quer saber de onde vem a comida, quem são as pessoas envolvidas e como tudo é produzido”.
Perfil do novo visitante
Esse viajante, afirma a executiva, atravessa longas distâncias interessado em florestas preservadas, biodiversidade e comunidades tradicionais, rejeitando representações folclóricas montadas apenas para estrangeiros. A demanda inclui privacidade, silêncio e a presença de guias capazes de traduzir o conhecimento ancestral da mata.
Anavilhanas Jungle Lodge como exemplo
Inaugurado em 2007 em Novo Airão (AM), o Anavilhanas Jungle Lodge ilustra a mudança. À época da abertura, 90% dos hóspedes eram estrangeiros; hoje, a proporção é 60% de visitantes de fora e 40% de brasileiros. “O brasileiro passou a se interessar mais pela Amazônia”, observa o sócio Augusto Costa Filho. O empreendimento, com 25 quartos, reúne arquitetura integrada à floresta, gastronomia local e atividades guiadas que revelam aspectos pouco perceptíveis ao olhar leigo.
A esposa e sócia Fabiana Caricati Boaretto defende que a região se afaste do “luxo dourado”, priorizando autenticidade, conforto e bom serviço. Já Augusto lista quatro pilares procurados pelos hóspedes: arquitetura, gastronomia, natureza e cultura.
Infraestrutura e qualificação
Ainda que natureza e cultura sejam diferenciais, a carência de infraestrutura limita o crescimento. Camilla Barretto aponta rotas aéreas insuficientes, enquanto Fabiana lembra de desafios básicos nas cidades amazônicas, como moradia digna, água encanada e saneamento. O Anavilhanas é hoje o maior empregador privado de Novo Airão, mas Augusto reconhece a necessidade de qualificar moradores locais em idiomas para ocupar vagas melhor remuneradas.

Imagem: Internet
Números do turismo
O interesse se consolida em meio à alta do turismo nacional. Em 2025, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais, 37,1% acima de 2024, com gastos de US$ 7,9 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, foram 3,74 milhões de chegadas do exterior. O Amazonas acompanhou a tendência: 88.869 estrangeiros visitaram o estado em 2025, aumento de 38% na comparação anual; entre janeiro e março de 2026, o desembarque internacional no Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, subiu 14,84%.
Impacto da COP30
A realização da COP30 em Belém, em 2025, elevou a visibilidade global da floresta. A Embratur quer converter essa exposição em fluxo contínuo, apostando em mais conectividade aérea, fortalecimento do turismo de natureza e promoção integrada dos sete estados do Norte. Estados Unidos, Alemanha, França, Portugal, Colômbia e Peru aparecem como mercados prioritários.
Para a agência, a Amazônia reúne atributos valorizados pelo público de alto padrão: autenticidade, exclusividade, privacidade e contato com ecossistemas intactos. O desafio, reforçam especialistas, é gerar renda para as populações locais sem recorrer ao turismo de massa que ameace os recursos naturais que motivam a viagem.
Com informações de Metrópoles
