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PF rastreia triangulação financeira que ligaria Banco Master a ex-servidores do Banco Central

Investigações da Polícia Federal, divulgadas em 12 de setembro de 2026, apontam que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria montado um esquema de triangulação de pagamentos para repassar vantagens a ex-funcionários do Banco Central (BC). A estratégia envolveria empresas de fachada, parentes e múltiplas transferências para ocultar a origem e o destino final dos recursos.

Como funcionava a triangulação

De acordo com os investigadores, o dinheiro saía do Banco Master para uma empresa pertencente ao próprio grupo financeiro. Na sequência, era encaminhado a companhias controladas por intermediários, como Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Só depois dessas etapas o valor chegava aos beneficiários finais, criando barreiras que dificultavam a rastreabilidade e caracterizando possível lavagem de dinheiro.

Papel de Fabiano Zettel

Zettel é considerado pela PF o principal operador financeiro do esquema. Mensagens analisadas mostram que ele abriu empresas especificamente para movimentar os valores sem ligação aparente com o Banco Master ou com a família Vorcaro. Ele também integrava um grupo informal chamado “A Turma”, responsável por monitorar opositores e coletar informações que pudessem proteger os interesses do banco, recorrendo inclusive a métodos de intimidação, segundo a investigação.

Ex-servidores do Banco Central envolvidos

Entre os supostos beneficiários estão Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização. A PF sustenta que ambos atuavam dentro do BC em favor do Banco Master.

  • Santana teria recebido cerca de R$ 4 milhões por meio de contratos fictícios de consultoria.
  • Neves de Souza é suspeito de receber vantagem indevida na venda de um sítio em Minas Gerais por R$ 4,8 milhões a uma empresa vinculada ao grupo; mesmo após a transação, a família dele continuou utilizando o imóvel.

Posicionamento das defesas

A defesa de Belline Santana nega qualquer ilegalidade. O advogado Leonardo Palazzi afirma que as acusações se baseiam em “trechos seletivos” da apuração e que os depoimentos prestados afastam indícios de crime. Palazzi acrescenta que o próprio Daniel Vorcaro negou pagamentos ilícitos, alegando que os serviços contratados eram legítimos. Até o momento, não houve manifestação pública de Vorcaro, Zettel ou de Paulo Sérgio Neves de Souza.

A investigação segue em curso na Polícia Federal.

Com informações de Gazeta do Povo

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