A 273 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o colunista Ricardo Noblat avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá conquistar um quarto mandato graças a uma série de acontecimentos que aproximaram o governo brasileiro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
Segundo o texto, Lula se fortaleceu politicamente depois de sobreviver a duas tentativas de golpe. O ponto de inflexão, diz Noblat, ocorreu quando Trump impôs tarifas a produtos brasileiros exportados para os EUA, medida que, inicialmente, gerou desgaste interno ao Planalto.
Mais tarde, o ex-presidente norte-americano teria pedido ao Supremo Tribunal Federal que suspendesse o julgamento do ex-mandatário Jair Bolsonaro e de aliados. A Corte, no entanto, manteve o processo e condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, o que, conforme a coluna, abriu espaço para Lula se apresentar como defensor da soberania nacional.
Indicadores econômicos
Noblat relata que o ano de 2025 terminou com inflação abaixo da meta, menor taxa de desemprego em mais de uma década e rendimento real habitual recorde de R$ 3.574 — alta de 1,8% no trimestre e de 4,5% em 12 meses.
Impacto na direita
A condenação de Bolsonaro, seguida de carta em que o ex-presidente apontou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como herdeiro político, teria enfraquecido a pré-candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de acordo com o colunista.
Imagem: Internet
Caso Maduro
A direita brasileira, diz a coluna, voltou a apoiar Trump após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, operação que contrariou o princípio de não intervenção. Confira as reações apontadas por Noblat:
- Eduardo Leite (PSD-RS): criticou tanto o regime de Maduro quanto a ação militar estrangeira;
- Ratinho Júnior (PSD-PR): parabenizou Trump e celebrou “a liberdade” na Venezuela;
- Ronaldo Caiado (União-GO): chamou o 3 de janeiro de “dia da libertação do povo venezuelano”;
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ): afirmou que ditaduras caem quando os povos escolhem a liberdade;
- Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP): atribuiu a ação dos EUA à “omissão” do Brasil num processo de transição venezuelano.
Noblat conclui que, sem um projeto claro, líderes de direita ficam mais uma vez dependentes de Trump, cenário que, na avaliação do colunista, favorece Lula na busca pela reeleição.
Com informações de Metrópoles
