Uma operação militar dos Estados Unidos na madrugada de sábado (3) resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. No mesmo fim de semana, o presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizou que outros países da região podem enfrentar ações ou sanções de Washington, citando diretamente Cuba e Colômbia.
Trump mira Cuba e Colômbia
Em entrevista coletiva no sábado, Trump afirmou que pretende “ajudar o povo de Cuba” e declarou que a situação da ilha “entrará na pauta” da Casa Branca. O secretário de Estado, Marco Rubio, completou que o regime de Havana se sustenta em lideranças “senis e incompetentes” e deveria se preocupar com os próximos passos dos EUA.
No domingo (4), a bordo do Air Force One, Trump voltou a se pronunciar, desta vez sobre a Colômbia. Segundo ele, o país é “liderado por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos” — referência ao presidente Gustavo Petro. Questionado se autorizaria uma operação militar em território colombiano, respondeu que a ideia “parece boa”.
Reação de Havana
O governo cubano já demonstrava preocupação com o avanço de forças norte-americanas no Caribe. Em 25 de novembro, o chanceler Bruno Rodríguez classificou a eventual queda de Maduro como “extremamente perigosa e irresponsável”, alegando riscos “incalculáveis” de mortes e instabilidade. Havana mantém forte ligação com Caracas: petróleo venezuelano chega à ilha a preços reduzidos, enquanto Cuba fornece profissionais de saúde e assessores militares. Autoridades cubanas informaram que 32 cidadãos da ilha — integrantes das forças armadas e de serviços de inteligência — morreram na operação que capturou Maduro.
Análises sobre possíveis desdobramentos
Para o economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena, a remoção de Maduro fragiliza, mas não derruba imediatamente, o regime cubano. Ele prevê manutenção, ainda que reduzida, do apoio logístico venezuelano à ilha.
O coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho avalia que os EUA tendem a intensificar sanções contra Cuba, mas vê chance maior de aumento de pressão sobre a Colômbia.
Imagem: Miguel Gutiérrez
Especialistas ouvidos apontam incertezas sobre o futuro político da Venezuela. O advogado Manuel Furriela lembra que a retirada forçada de um governante não garante, por si só, transição democrática. O pesquisador de Harvard Vitélio Brustolin destaca que ditaduras aliadas, como a da Nicarágua, podem perder respaldo estratégico com a desestabilização de Caracas.
O cientista político Gustavo Alves considera a captura uma ação pontual, por motivos ligados ao narcotráfico e a grupos classificados como terroristas, sem configurar nova doutrina contra regimes autoritários. Já o jurista Luiz Augusto Módolo observa que Washington pode ter atingido um limite diante da crise migratória, do avanço do tráfico e da presença de Rússia e China na Venezuela, enxergando a operação como reafirmação da Doutrina Monroe.
Até o momento, a Casa Branca não anunciou planos concretos para intervenções adicionais na região, mas as declarações de Trump mantêm o clima de tensão entre Washington e governos aliados de Caracas.
Com informações de Gazeta do Povo
