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Centrão atua para adiar instalação da CPI do Banco Master no Congresso

Setores do Centrão articulam-se para retardar ou esvaziar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o colapso do Banco Master, apesar de já haver assinaturas suficientes na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e para uma comissão mista. O movimento ocorre durante o recesso legislativo e tem o objetivo de evitar que a investigação exponha a ampla rede de contatos políticos e jurídicos mantida pelo fundador e presidente do banco, Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero.

Manobras regimentais travam avanço

Presidente da Câmara e do Senado não são obrigados a instalar CPIs em prazo definido, o que permite o engavetamento por acordo político. No caso de comissão mista, basta a leitura do requerimento em sessão conjunta para que o colegiado comece a funcionar, mas a simples ausência de convocação dessas sessões vem sendo usada para adiar indefinidamente o processo.

Rede de influência de Vorcaro

A principal resistência, segundo parlamentares, parte de deputados e senadores ligados a Vorcaro. Entre os interlocutores do banqueiro em Brasília são citados o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda, dirigente do União Brasil. Ambos teriam atuado na tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), posteriormente vetada pelo Banco Central.

Nogueira também apresentou, em 2024, uma emenda à PEC 65/2023 para elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ. Críticos alegam que a proposta beneficiaria instituições de porte médio com grande captação de investidores, perfil do Banco Master. Após a liquidação do banco, o FGC pode ser acionado em até R$ 46,9 bilhões, valor que corresponde a cerca de 40% da liquidez do grupo em junho de 2025.

Conexões no Judiciário e na política

O Banco Master contratou o escritório da advogada Vivian Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, por R$ 3,6 milhões mensais. Também passaram pela instituição o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, como advogado; o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, como consultor; o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, em comitê consultivo; e o ex-presidente Michel Temer, como mediador da venda ao BRB.

Oposição pressiona

Parlamentares da oposição tentam acelerar a CPI. O deputado Marcos Pollon (PL-MS) classificou o caso como “mais grave que a Lava Jato”, enquanto o senador Eduardo Girão (Novo-CE) sustenta que a investigação deve abordar possíveis ligações do banco com clubes de futebol e organizações criminosas.

Clima político desfavorável

Aliados dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), admitem que o ano eleitoral e o risco de desgaste institucional pesam contra a instalação imediata da CPI. Especialistas em direito público, como Arcênio Rodrigues da Silva e Sthefano Cruvinel, avaliam que a proximidade entre interesses econômicos, políticos e judiciais cria ambiente propício a manobras que limitem a fiscalização parlamentar.

Até o momento, não há indicação de quando — ou se — a CPI do Banco Master será finalmente aberta.

Com informações de Gazeta do Povo

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