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Polícia Civil aponta desvio de R$ 650 mil em projeto social de combate às drogas em Palmas

A Operação Jogo Limpo, da Polícia Civil do Tocantins, apura o desvio de aproximadamente R$ 650 mil destinados a projetos sociais em Palmas. Segundo o inquérito, todo o valor foi sacado no mesmo dia em que caiu na conta do convênio nº 020/2014, firmado em 3 de outubro de 2014 entre a Fundação Municipal de Esporte e Lazer de Palmas (Fundesportes) e o Instituto Vale do Tocantins.

Como funcionava o esquema

Os investigadores concluíram que 100% dos recursos repassados ao projeto “Atividade Física e Recreativa no Combate às Drogas” foram transferidos para empresas de fachada por meio de cheques emitidos na data do depósito. As companhias não existiam nos endereços informados e apresentaram notas fiscais ideologicamente falsas, sem a entrega de qualquer bem ou serviço.

Para legitimar o processo, uma comissão interna de análise de projetos foi criada dentro da Fundesportes. Servidores tiveram os nomes incluídos no grupo sem conhecimento prévio e declararam, em depoimento, jamais ter analisado documentos relacionados ao convênio. A polícia classifica o colegiado como “comissão fantasma”.

Envolvidos e valores rastreados

Dez pessoas foram indiciadas por peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude em licitação e associação criminosa. Entre elas estão:

  • Cleyton Alen, ex-presidente da Fundesportes;
  • Deusdete da Silva Melo, presidente do Instituto Vale do Tocantins;
  • O então vereador Rogério Freitas, que recebeu R$ 40 mil cinco dias após o repasse do convênio, conforme a quebra de sigilo bancário.

Além dos agentes políticos, familiares e pessoas interpostas teriam participado da pulverização dos valores.

Velocidade atípica

O convênio tramitou em apenas oito dias dentro da administração municipal, situação considerada atípica pela Polícia Civil e apontada como indício de ajuste prévio para liberar os recursos.

Defesas

O ex-vereador Rogério Freitas declarou que, após 12 anos, não foi denunciado e cobra celeridade da Justiça. A Prefeitura de Palmas informou colaborar com as investigações e ressaltou que os fatos não têm relação com a atual gestão. Deusdete Melo afirmou que já prestou esclarecimentos e que o Instituto Vale do Tocantins foi desativado. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Cleyton Alen.

O inquérito segue em curso e o Ministério Público deve avaliar o oferecimento de denúncia.

Com informações de G1

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