Brasília – O Governo do Distrito Federal (GDF) admitiu a possibilidade de capitalizar o Banco de Brasília (BRB) caso as perdas decorrentes de operações com o Banco Master comprometam os índices prudenciais da instituição.
Estimativas internas apontam que o rombo pode variar de R$ 1,6 bilhão a R$ 2,2 bilhões, resultado da compra de carteiras de crédito consideradas fraudulentas durante negociações para aquisição de parte do Master em 2025. Analistas avaliam que o impacto financeiro ainda pode ser superior a esses valores.
Especialista vê socialização de prejuízos
Para Luís Garcia, sócio da Tax Group e especialista em governança e compliance, eventual aporte do GDF implicaria uso de recursos arrecadados via impostos, transferindo para o contribuinte o custo de decisões de investimento tomadas pelo banco estatal. Segundo ele, o cenário caracteriza “socialização de prejuízos”, prática recorrente em crises bancárias nacionais.
Captação emergencial
Paralelamente, o BRB consultou gestoras de crédito sobre a emissão de Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE 2) no valor de aproximadamente R$ 700 milhões. O instrumento, coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), é voltado a instituições de pequeno e médio porte que enfrentam dificuldade de captação e não era utilizado pelo banco até então.
Banco afirma solidez
Em nota divulgada na noite de 19 de janeiro, o BRB reiterou possuir patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões, assegurando operação normal e sem risco de intervenção. A instituição informou ainda manter investigação independente, conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados com suporte da Kroll Associates, e afirmou ter plano para recompor capital, inclusive por meio da venda de ativos adquiridos do Master.
Posição do governo
Questionada, a Secretaria de Economia do DF declarou não ser possível, por ora, estimar valores ou confirmar a necessidade de injeção de recursos no banco. O GDF afirmou “acompanhar com serenidade” a situação.
Investigações e bloqueios
A segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, bloqueou R$ 5,7 bilhões em bens relacionados ao caso. Como credor na liquidação do Master, o BRB aguarda restituição seguindo a hierarquia legal, na qual causas trabalhistas e fiscais têm prioridade, seguidas dos depositantes cobertos pelo FGC e, depois, demais credores.
Imagem: Joéds Alves
Origem do prejuízo
Investigações apontam que, embora a compra de participação no Master tenha sido vetada pelo Banco Central, o BRB adquiriu cerca de R$ 16 bilhões em carteiras de crédito do banco privado. Desse montante, R$ 12,2 bilhões seriam lastreados em títulos inexistentes ou irregulares.
Versões conflitantes
Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Master, negou prejuízos ao BRB. Já o ex-presidente do banco estatal Paulo Henrique Costa estimou as perdas em R$ 2,2 bilhões. A defesa de Vorcaro fala em R$ 1,6 bilhão ainda não liquidado, garantias de R$ 9 bilhões e deságio de 30% nas carteiras.
O BRB sustenta que permanece “sólido, estável e operando normalmente” e que, se necessário, o GDF poderá aportar capital para manter os requisitos regulatórios.
Com informações de Gazeta do Povo
