Brasília — O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente setores da imprensa nesta quinta-feira (20.mar.2026) ao apresentar voto sobre a manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo o decano, veículos de comunicação têm promovido “frenesi midiático” e tentado impor ao Judiciário um “veredicto forjado” por meio de cobertura que antecipa a condenação dos investigados.
Para o magistrado, o que chamou de “publicidade opressiva” ocorre quando reportagens, abastecidas por vazamentos ilegais, estigmatizam suspeitos antes de qualquer decisão judicial. “É precisamente o que se verifica no caso concreto”, afirmou.
Vazamentos sob sigilo
Gilmar Mendes citou reportagens de O Globo, O Estado de S. Paulo e Metrópoles que divulgaram trechos de inquérito sob sigilo máximo no STF. Entre os materiais publicados estão:
- Contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes;
- Menções ao ministro Dias Toffoli encontradas no celular de Vorcaro.
Os ministros citados negam qualquer irregularidade.
Paralelo com a Lava Jato
No voto, Gilmar traçou paralelo com a Operação Lava Jato. Ele disse que parte da mídia atuou como “assessoria de imprensa” da força-tarefa e, sem fazer autocrítica pelos excessos, tenta agora deslegitimar o STF “por ressentimento”.
Acesso privilegiado a mensagens
O ministro mencionou reportagem do Estadão que, poucas horas após o início do julgamento, publicou imagens de conversas entre Vorcaro e seu advogado — material protegido pelo sigilo profissional. De acordo com Mendes, a matéria exibia arquivos “mais detalhados” do que aqueles disponibilizados à Segunda Turma, sugerindo vazamento direto dos autos.
Imagem: Gustavo Moreno
Exposição de dados pessoais
Outro ponto questionado foi a divulgação de informações pessoais de Vorcaro após o compartilhamento de documentos com a CPMI do INSS. Para Gilmar, o episódio reforça o “linchamento moral” em curso contra os investigados.
Reitor Cancellier e o risco de “circo midiático”
Ao ilustrar as consequências desse tipo de cobertura, o ministro relembrou o caso do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier, que se suicidou em 2017 após ter a reputação destruída por acusações posteriormente consideradas desproporcionais.
Gilmar Mendes encerrou o voto defendendo que o Judiciário funcione como “espaço de contenção racional”, impedindo que processos penais sejam conduzidos por pressões da opinião pública ou da mídia.
Com informações de Gazeta do Povo
