A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), declarou nesta quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha conhecimento de contratos de consultoria mantidos pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski com empresas privadas antes de convidá-lo para o cargo, em janeiro de 2024.
Segundo Hoffmann, Lewandowski avisou o Palácio do Planalto sobre os vínculos e se comprometeu a encerrá-los para cumprir a legislação. “Não há problema, irregularidade nenhuma, crime nenhum ele ter contrato de consultoria. O ministro prestou um relevante serviço ao país”, afirmou a jornalistas em Brasília.
Contrato de R$ 6 milhões com o Banco Master
Reportagem publicada na véspera revelou que o escritório de Lewandowski assinou um contrato de consultoria de R$ 6 milhões com o Banco Master, válido de agosto de 2023 a setembro de 2025. A indicação do escritório à instituição financeira partiu do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), segundo a apuração, fato confirmado pelo próprio ex-ministro. Lewandowski informou que delegou a execução do serviço aos filhos, Enrique e Yara.
Reação da oposição
Parlamentares oposicionistas vinculam o escândalo envolvendo o Banco Master ao governo federal justamente pela atuação do escritório do ex-magistrado. Gleisi, porém, nega qualquer irregularidade e destaca que todas as investigações contra a instituição financeira foram conduzidas durante a gestão de Lewandowski à frente da Polícia Federal. “Foi na gestão dele que o presidente do Master, Daniel Vorcaro, foi preso”, frisou a ministra.
Visitas ao Planalto e acusações
A ministra também rebateu tentativas da oposição de relacionar Vorcaro ao governo, embora apurações indiquem que o banqueiro esteve no Palácio do Planalto pelo menos quatro vezes, incluindo uma audiência com o próprio Lula. Hoffmann sustenta que, nos últimos dez meses, o Executivo se manteve “firme e decidido” em apoiar a fiscalização do Banco Central e as investigações da Polícia Federal.
Lula tenta se afastar do caso
Depois de meses sem comentar o tema, o presidente mudou de postura e, poucos dias antes de vir a público a informação sobre seu encontro com Vorcaro, criticou os “sem vergonha que defendem cidadão que deu golpe de 40 bilhões”. Sua primeira fala pública sobre o escândalo ocorreu em 23 de janeiro, durante entrega de moradias em Maceió (AL), quando usou o episódio para reforçar discurso contra a desigualdade social.
Imagem: Joéds Alves
Mesmo assim, Lula não citou o envolvimento de ex-ministros como Guido Mantega, que, segundo as investigações, recebeu salário de R$ 1 milhão para assessorar o Banco Master e viabilizou reuniões de Vorcaro no Planalto em 2024.
As investigações sobre o Banco Master seguem em curso sob responsabilidade da Polícia Federal e do Banco Central.
Com informações de Gazeta do Povo
