O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta segunda-feira (19/1) que o Banco Central (BC) deveria assumir a fiscalização dos fundos de investimento, tarefa hoje atribuída à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em entrevista ao portal UOL, o titular da pasta disse que a ampliação do “perímetro regulatório” da autoridade monetária está em discussão dentro do governo federal.
“O BC tem de ampliar o seu perímetro regulatório e passar a investigar os fundos. Isso tem impacto até sobre a contabilidade pública”, declarou Haddad. Segundo o ministro, o debate envolve o presidente do BC, Gabriel Galípolo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o Ministério da Gestão e Inovação (MGI).
Contexto de suspeitas contra fundos
A proposta surge em meio a apurações sobre o uso de fundos de investimento em possíveis crimes financeiros. Em agosto do ano passado, a Receita Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto, que apontou a utilização desses veículos para ocultação de patrimônio por organizações criminosas.
No caso específico do Banco Master, investigações iniciadas em janeiro indicam que fundos teriam sido empregados para inflar artificialmente os ativos da instituição.
“Abacaxi” herdado por Galípolo
Haddad afirmou que Galípolo, no comando do BC desde o ano passado, “herdou” o problema envolvendo o Banco Master da gestão anterior, conduzida por Roberto Campos Neto. “Ele descascou o abacaxi com a responsabilidade de apresentar um processo robusto para justificar as decisões duras que teve de tomar”, disse o ministro.
Apesar das suspeitas, Haddad negou risco sistêmico para o mercado financeiro. Ele lembrou que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já começou a ressarcir investidores que possuíam CDBs do Master. “O FGC foi criado para essas eventualidades. É um valor muito substancial, e as pessoas precisam saber para onde foi esse dinheiro”, acrescentou.
Operação Compliance Zero
Na semana passada, a Polícia Federal desencadeou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na mesma ação, o BC liquidou a Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., atualmente chamada CBSF DTVM, sediada em São Paulo.
Imagem: Internet
O fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, também foi alvo de mandados de busca e apreensão. O empresário Nelson Tanure, figura conhecida no mercado financeiro, aparece entre os investigados.
Elogios e críticas
O ministro voltou a elogiar Galípolo, ex-secretário-executivo da Fazenda e indicado por ele para a diretoria do BC. Haddad também criticou a gestão anterior da autoridade monetária, afirmando que houve “desancoragem” de expectativas econômicas e uma transição “não normal”.
Sobre a taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, Haddad disse acreditar haver margem para cortes, mas ressaltou que não interfere nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Com informações de Metrópoles
