Modelos de linguagem de grande porte combinados a módulos de visão e controle motor deram um salto de eficiência aos robôs humanoides. Ao integrar visão, linguagem e ação em um mesmo sistema, essas máquinas passaram a interpretar o ambiente, planejar tarefas e executá-las de forma autônoma, abrindo caminho para uso contínuo em linhas de produção, armazéns e até em residências.
Desempenho comprovado na indústria automobilística
O Figure 02, robô criado pela norte-americana Figure AI, atua há dez meses na fábrica de veículos localizada em Spartanburg, nos Estados Unidos. Nesse período, carregou mais de 90 mil peças e contribuiu para a montagem de 30 mil veículos. Segundo a empresa, o equipamento conseguiu interpretar instruções em linguagem natural, analisar o cenário visual, detectar anomalias e ajustar sua trajetória em tempo real, demonstrando robustez em ambiente ruidoso.
Logística também adota humanoides
A Agility Robotics relatou resultados semelhantes com o humanoide Digit. Em uma instalação de um grande operador de logística, o robô movimentou mais de 100 mil caixas, marcando novo patamar de ritmo e disponibilidade para o setor.
Arquitetura Vision-Language-Action
O desempenho recente se deve, de acordo com pesquisadores, à arquitetura Vision-Language-Action (VLA). O método separa o planejamento simbólico — realizado por modelos de linguagem e visão — da geração de trajetórias motoras, o que permite ao robô elaborar planos de longo prazo, reprogramar ações localmente e oferecer registros explicáveis.
Mercado em expansão
Estimativas apontam potencial de US$ 5 trilhões para o mercado de humanoides até 2050, com adoção crescente até pelo menos 2035. Entre os projetos em curso estão o Optimus, da Tesla, e o NEO, da 1X Technologies, este último apresentado em versões beta para uso doméstico.
Infraestrutura de hardware
Para viabilizar inferência local com baixa latência, fabricantes empregam NPUs e GPUs embarcadas, permitindo que parte do processamento ocorra na borda e parte na nuvem. A estratégia reduz atrasos, protege dados sensíveis e garante operação mesmo em áreas com conexão limitada.
Imagem: Divulgação
Aplicações previstas
Fábricas pretendem usar humanoides para amortecer variações em células de montagem. Centros de distribuição estudam a adoção em etapas de consolidação e triagem, enquanto hospitais avaliam tarefas de apoio, como checagem de consumíveis e transporte de bandejas. No lar, a expectativa é que robôs executem rotinas complexas, como lavar louça, combinando micro-habilidades de manipulação e reconhecimento de objetos.
Especialistas alertam para a necessidade de métricas de segurança, auditoria constante de dados e políticas de privacidade claras, sobretudo em ambientes domésticos e de saúde.
Com informações de Olhar Digital
