Brasília — 13/01/2026. A abertura, pela Polícia Federal, de um inquérito para apurar possíveis financiamentos de campanhas contra o Banco Central (BC) durante a liquidação do Banco Master acendeu o alerta de juristas, que temem a expansão do caso a ponto de se transformar em um novo “inquérito do fim do mundo”, iniciado em 2019 e ainda sem conclusão.
Alvo inicial: influenciadores e financiamento
O procedimento foi instaurado para identificar influenciadores digitais e eventuais patrocinadores de conteúdos que teriam buscado descredibilizar o BC e autoridades envolvidas no processo de liquidação do Banco Master. Contudo, especialistas em Direito Constitucional observaram que a investigação pode ultrapassar esse escopo e alcançar parlamentares que fizeram críticas públicas relacionadas ao episódio.
Possível alcance político
Fontes próximas à apuração indicam que deputados federais e senadores que solicitaram esclarecimentos sobre a relação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o Banco Master podem entrar no radar da PF, embora nenhum tenha sido formalmente incluído até o momento.
Entre as citações mais frequentes estão as de Dias Toffoli — que assumiu o controle das investigações no STF e impôs sigilo máximo após viajar de jatinho ao Peru com um advogado ligado ao banco — e Alexandre de Moraes, que, segundo relatos, discutiu o tema com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, enquanto a empresa de sua esposa mantinha contrato de R$ 129 milhões com o Master. Moraes afirma ter tratado apenas de sanções previstas na Lei Magnitsky.
Preocupação com escopo ilimitado
O comentarista político e doutor em Direito Luiz Augusto Módolo lembra que investigações anteriores começaram de forma pontual e depois ganharam contornos amplos, gerando insegurança jurídica. Para ele, a falta de transparência sobre quem é investigado estabelece “uma espada de Dâmocles” sobre a sociedade, inibindo a liberdade de expressão.
O constitucionalista André Marsiglia afirma que críticas parlamentares não devem ser confundidas com ataques institucionais. Ele defende que o inquérito se concentre em identificar quem financiou eventuais campanhas de influência, considerando a prática uma possível obstrução de Justiça.
Já o professor universitário Alessandro Chiarottino reconhece que, do ponto de vista jurídico, não se pode descartar a inclusão de políticos no processo, mas alerta que isso teria alto custo institucional e ampliaria o desgaste entre STF e Congresso.
Imagem: Marcello Casal Jr.
Para a doutora em Direito Público Clarisse Andrade, investigações sem fato determinado representam distorção grave em regime democrático e funcionam como mecanismo de intimidação capaz de gerar autocensura.
Banco Master e Operação Compliance Zero
A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nega participação em qualquer estratégia de ataques coordenados. A PF, porém, analisa o conteúdo do celular do banqueiro, apreendido em novembro durante a Operação Compliance Zero. Mensagens já examinadas sugerem que articulações teriam começado antes mesmo da liquidação do banco.
Condução no STF
Os inquéritos ligados ao caso tramitam sob relatoria do ministro Dias Toffoli, reunindo apurações sobre supostas fraudes financeiras e eventuais ramificações políticas. Juristas veem no processo um possível divisor de águas na relação entre liberdade de expressão, atuação parlamentar e limites institucionais.
Até o momento, STF e Polícia Federal não responderam a pedidos de posicionamento da reportagem.
Com informações de Gazeta do Povo
