O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) designou, nesta sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto, para assumir interinamente o comando da pasta. A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União, que também oficializou a exoneração do ex-ministro Ricardo Lewandowski.
Função temporária enquanto Lula define titular
Com a escolha, Lula ganha tempo para concluir as negociações sobre quem ocupará o cargo de forma definitiva. Entre os nomes cogitados estão o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o advogado Marcos Aurélio de Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas; o ex-ministro da Justiça Tarso Genro; o ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Marques de Carvalho; e o advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva.
Trajetória do interino
Manoel Carlos de Almeida Neto, 46 anos, é doutor e pós-doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). De 2012 a 2020, foi professor convidado da USP. No setor público, atuou como procurador-geral municipal e ocupou as secretarias-gerais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Neto foi o “número dois” do Ministério da Justiça desde a posse de Lewandowski, responsável pela coordenação administrativa e pela execução das políticas da pasta. A relação com o ex-ministro começou em 2002 e se aprofundou em 2006, quando passou a assessorá-lo no STF.
Em dezembro de 2025, Lewandowski concedeu a Neto o grau de Grande Oficial da Medalha da Ordem do Mérito do MJSP, honraria que naquela ocasião contemplou outras 63 pessoas.
Saída de Lewandowski
Ricardo Lewandowski pediu demissão em 8 de janeiro, logo após a cerimônia pelos três anos dos atos golpistas de 2023. Na carta encaminhada a Lula, afirmou que deixava o cargo por “motivos pessoais e familiares”. O presidente contava com sua permanência até fevereiro.
Imagem: Robs Alves
Lewandowski encerrou a passagem pelo ministério sem conseguir avançar na Proposta de Emenda à Constituição 18/25, a PEC da Segurança Pública, parada na Câmara desde abril de 2025. Aos 77 anos, o ex-ministro foi integrante do STF de 2006 a 2023, indicado por Lula, e assumiu a Justiça após a saída de Flávio Dino para o Supremo.
Agora, Almeida Neto permanecerá à frente da pasta até que o Palácio do Planalto anuncie o substituto definitivo.
Com informações de Gazeta do Povo
