Um estudo conduzido com técnicas de micromorfologia arqueológica identificou que habitantes do assentamento de Molino Casarotto, no norte da Itália, já mantinham há cerca de 6 000 anos rotinas domésticas bem definidas, com áreas específicas para cozinhar, limpar e descartar resíduos.
Divisão de espaços dentro das moradias
De acordo com o artigo publicado na plataforma Science Direct, o exame de seções microscópicas intactas do solo revelou a existência de cômodos separados para diferentes tarefas. Camadas de cinzas e restos carbonizados sugerem locais usados regularmente para o preparo de alimentos, enquanto concentrações de microfragmentos indicam zonas destinadas ao descarte de lixo.
Evidências microscópicas
As análises apontaram:
- Cozinhar: presença de cinzas e vestígios de combustão interna;
- Limpeza: redistribuição periódica de sedimentos e detritos domésticos;
- Gestão de resíduos: áreas delimitadas para acumular lixo e fragmentos cerâmicos.
Segundo os pesquisadores, somente a observação em escala microscópica permitiu detectar essas camadas sobrepostas de materiais, algo que técnicas tradicionais de escavação não conseguiriam evidenciar com a mesma precisão.
Rotinas repetitivas e planejadas
Os dados sugerem que cada atividade seguia padrões regulares, denotando cuidado com a organização interna e provavelmente preocupações de saúde e eficiência. Para os autores, as descobertas aproximam a vida cotidiana do Neolítico da realidade contemporânea, ao revelar práticas domésticas que se assemelham às atuais.
Imagem: inteligência artificial
As conclusões reforçam a importância da micromorfologia arqueológica na reconstrução de hábitos passados, ao demonstrar como populações pré-históricas estruturavam suas casas e mantinham o ambiente limpo e funcional.
Com informações de Olhar Digital
