A Polícia Federal constatou que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, teve acesso a documentos sigilosos sobre investigações contra seu conglomerado pelo menos quatro meses antes de ser preso. O material foi obtido após invasões a sistemas da Justiça Federal e do Banco Central, segundo relatório divulgado em 11 de março de 2026.
Quem executou as invasões
O principal responsável seria Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Aliado de Vorcaro, ele integrava um grupo que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça classificou como “milícia privada”. Sicário utilizou credenciais de membros da Procuradoria-Geral da República (PGR) para acessar sistemas internos da Justiça e obter dados confidenciais.
Quais informações foram acessadas
Vorcaro recebeu fotos, capturas de tela e arquivos em PDF que detalhavam o andamento das apurações. Além de processos judiciais, o grupo vasculhou investigações do Banco Central e obteve dados de organismos internacionais, como a Interpol. As primeiras evidências de acesso datam de julho de 2025.
Estrutura do grupo “A Turma”
De acordo com o STF, a rede batizada de “A Turma” funcionava como um centro clandestino de monitoramento. Além de acompanhar processos envolvendo Vorcaro, os integrantes espionavam jornalistas e autoridades consideradas desafetas do banqueiro. A descoberta dessa engrenagem levou às prisões preventivas decretadas na semana anterior à divulgação do relatório.
Crítica de Mendonça à PGR
Ao autorizar os mandados de prisão, Mendonça criticou a PGR por solicitar prazo adicional para analisar o caso, alegando que a urgência era evidente diante do risco de destruição de provas. Para o ministro, o acesso ilegal a dados demonstra a capacidade do grupo de comprometer sistemas estatais.
Imagem: Isaac Ftana
Posicionamento da defesa
Em nota, os advogados de Daniel Vorcaro afirmaram que não comentarão as acusações, pois as informações teriam vazado de maneira ilícita. A defesa acrescentou que os fatos estão sob análise do STF e que qualquer manifestação poderia ampliar a difusão de dados ainda protegidos por sigilo.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal.
Com informações de Gazeta do Povo
