Florianópolis (SC) – A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) solicitou, na sexta-feira (2/6), a apreensão do passaporte de um dos adolescentes investigados pela agressão que resultou na morte do cão comunitário Orelha, ocorrida no início de janeiro, no bairro Praia Brava, em Florianópolis.
O pedido foi encaminhado à Justiça catarinense e comunicado à Polícia Federal, com o objetivo de impedir que o jovem deixe o país enquanto o caso segue em apuração.
Críticas à investigação
A iniciativa da PCSC ocorreu no mesmo dia em que a corporação passou a ser alvo de questionamentos sobre a condução do inquérito que investiga não apenas a morte de Orelha, mas também maus-tratos contra o cão Caramelo, igualmente na capital catarinense. Diante das lacunas apontadas pela defesa dos suspeitos e de mudanças nas versões apresentadas, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) requisitou mais esclarecimentos e maior detalhamento da reconstituição dos fatos.
O caso Orelha
Orelha morreu na madrugada de 4 de janeiro, após sofrer uma pancada contundente na cabeça, segundo laudo da Polícia Científica. O animal foi resgatado por moradores no dia seguinte e não resistiu aos ferimentos, falecendo em uma clínica veterinária.
A Polícia Civil concluiu o inquérito em 3 de fevereiro, representou pela internação de um adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunha. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes investigados; mais de mil horas de imagens de 14 câmeras da região foram analisadas.
Divergências de versões
Um vídeo apresentado pela defesa, divulgado em 5 de fevereiro, mostra Orelha caminhando sem ferimentos aparentes às 7h05 de 4 de janeiro — cerca de 1h30 após o horário estimado da agressão (5h30). A Polícia Civil confirmou que se trata do mesmo animal, mas destacou que nunca afirmou que ele tenha morrido imediatamente depois do golpe.
Imagem: Internet
Para os investigadores, a principal evidência é outra gravação que registra o adolescente deixando um condomínio às 5h25 e retornando às 5h58, intervalo compatível com a hora provável da agressão. Não há, contudo, imagens do momento exato do ataque, e a ausência de sangue nas roupas do suspeito também foi ressaltada pela defesa.
Providências complementares
O Ministério Público, por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude e da 2ª Promotoria Criminal, considerou necessário aprofundar a investigação. Além disso, a Promotoria apura denúncias de coação e ameaças a familiares dos adolescentes investigados e a um porteiro do condomínio.
Organizações não governamentais solicitaram a federalização do caso, alegando risco de falhas na apuração e possibilidade de impunidade. Elas apontam indícios de parcialidade, bem como a hipótese de que a violência tenha sido incentivada por plataformas on-line.
Com informações de Metrópoles
