Uma nova ferramenta tecnológica vai permitir que a Polícia Militar de São Paulo registre boletins de ocorrência de violência doméstica já no primeiro atendimento, sem que a vítima precise se deslocar até uma delegacia. O sistema, que compartilha as informações automaticamente com a Polícia Civil, terá implantação piloto em Santos, no litoral paulista.
Com o recurso, o policial militar preenche o boletim no momento da chamada de emergência e envia os dados à Polícia Civil, responsável pela investigação e por eventuais pedidos de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. A iniciativa busca reduzir a subnotificação, já que muitas vítimas acionam o 190, recebem socorro, mas não formalizam a denúncia depois.
Expansão planejada
Se os resultados em Santos forem considerados positivos, o governo paulista planeja estender o sistema gradualmente a outras cidades do estado. A expectativa é agilizar o processo de denúncia e integrar os serviços públicos voltados à proteção das mulheres.
Números da violência contra a mulher
Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) mostram que, em 2025, foram registrados mais de 281 mil boletins de ocorrência relacionados a crimes contra mulheres, incluindo feminicídio, estupro, lesão corporal, ameaça e crimes contra a honra.
Imagem: Internet
- Lesão corporal dolosa: 68.842 registros em 2025.
- Homicídios gerais: redução de 3,1%, passando de 2.517 vítimas em 2024 para 2.438 em 2025.
- Mortes de mulheres: aumento de 6,4%, de 421 para 448 vítimas entre 2024 e 2025.
- Calúnia, injúria e difamação: mais de 77 mil ocorrências no período.
O levantamento não inclui crimes patrimoniais, como roubo ou extorsão mediante sequestro, que também podem envolver violência contra a vítima, indicando que o cenário pode ser ainda mais amplo.
Com informações de Metrópoles
