Um estudo divulgado na revista Ecology registrou um comportamento inusitado entre polvos e peixes que costumam caçar em conjunto: em determinadas situações, o cefalópode acerta golpes rápidos — descritos pelos pesquisadores como “socos” — em seus companheiros de pesca.
Os cientistas observaram que a agressão surge mesmo quando a parceria aparenta beneficiar ambas as espécies. As filmagens mostram o polvo avançando com um dos tentáculos e atingindo o peixe sem qualquer sinal prévio de disputa por alimento ou espaço.
Possíveis motivos para o ataque
De acordo com o trabalho, os murros podem ter funções sociais específicas:
- Controle de benefícios: afugentar peixes que tentam roubar presas já capturadas;
- Punição por inatividade: incentivar parceiros pouco participativos a colaborar na busca por comida;
- Afirmação de liderança: reforçar a dominância do polvo sobre o grupo durante a caçada.
A equipe de pesquisa também constatou que nem todos os peixes reagem da mesma forma e que o nível de agressividade varia entre diferentes polvos, reforçando a existência de personalidades distintas na espécie.
Implicações para o estudo da cognição
Os autores sugerem que a estratégia reflete um grau avançado de inteligência social. Além de avaliar o ambiente, o polvo parece levar em conta o comportamento de outros animais antes de decidir pelo ataque. Novos estudos deverão investigar se o ato possui componente emocional ou se é puramente funcional.
Imagem: inteligência artificial
As conclusões ampliam a compreensão sobre como a cooperação e o conflito evoluíram em ambientes marinhos, oferecendo novas pistas sobre a complexidade cognitiva dos cefalópodes.
Com informações de Olhar Digital
