Brasília – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vive nova fase de tensão interna após a exoneração da coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, ocorrida a pouco menos de um mês da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, prevista para março. A retirada da economista do cargo acentuou críticas já dirigidas à gestão do presidente do órgão, Marcio Pochmann, nomeado em 2023.
Em nota, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (ASSIBGE) afirmou que, embora a troca de chefias seja prerrogativa da administração, a condução “deveria ter sido precedida de diálogo e transição adequada”, sobretudo porque a área é responsável pela revisão metodológica do Sistema de Contas Nacionais.
Abordagem a parlamentares
Representantes do sindicato vêm acionando parlamentares de esquerda para relatar o que classificam como “precarização interna” e “perda de capacidade técnica” no instituto. No fim de 2025, durante o lançamento da Caravana Federativa, dirigentes da entidade entregaram ao deputado Rogério Correia (PT-MG) um envelope com denúncias de assédio e enfraquecimento do papel estratégico do IBGE. O parlamentar prometeu repassar o material ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em outra frente, sindicalistas conversaram com os deputados Tarcísio Motta (PSOL-RJ) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) para manifestar preocupação com a inclusão dos bancos de dados do IBGE na chamada “nuvem soberana”, serviço operado pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Segundo eles, a medida ameaça a segurança das informações estatísticas e pode criar dependência orçamentária de empresas terceirizadas.
Questionamentos sobre fundação paralela
A relação entre corpo técnico e direção sofreu novo desgaste com a criação da Fundação IBGE+, registrada em cartório em setembro de 2024 com autorização para captar recursos privados. Servidores alegam que a iniciativa foi conduzida sem debate prévio e acabou suspensa pelo governo federal após críticas internas.
Acusações de práticas antissindicais
O sindicato também acusa Marcio Pochmann de “constranger” a atuação da entidade e limitar a organização dos trabalhadores. A tensão contrasta com o início da gestão, quando o presidente do IBGE tomou posse no auditório do sindicato e prometeu realizar um congresso institucional para discutir o estatuto e o planejamento estratégico do órgão.
Imagem: Ricardo Stuckert
Clician Oliveira, economista há 23 anos no IBGE, afirma que a promessa foi substituída pelo projeto “Diálogos IBGE”, cuja metodologia de coleta e seleção de propostas não foi detalhada. Segundo ela, sugestões enviadas por servidores foram compiladas em livros apresentados em Brasília, mas continham ideias não submetidas aos funcionários, entre elas a fundação hoje suspensa.
O IBGE está vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento, comandado por Simone Tebet. Ex-presidente da Fundação Perseu Abramo e do Instituto Lula, Pochmann enfrenta resistência de parte da área técnica desde sua indicação.
A presidência do IBGE e o ASSIBGE foram procurados para comentar as críticas, mas não responderam até a publicação desta reportagem.
Com informações de Gazeta do Povo
