Um estudo conduzido pelo Instituto de Ciências do Cosmos da Universidade de Barcelona utilizou simulações químicas de alta resolução para explicar como a Via Láctea adquiriu sua composição atual. A pesquisa sustenta que a distribuição de elementos na nossa galáxia não representa um padrão universal, mas sim o resultado de um entre vários caminhos possíveis de evolução galáctica.
Três estágios fundamentais
Fase primordial: estrelas formadas pouco depois do Big Bang surgiram a partir de nuvens compostas apenas por hidrogênio e hélio, sem metais pesados.
Impacto Gaia-Encélado: a colisão com uma galáxia anã alterou o disco galáctico e adicionou material fresco, acelerando a produção de elementos pesados.
Estabilidade moderna: explosões de supernovas continuam a enriquecer o meio interestelar, favorecendo o surgimento de sistemas planetários complexos.
As simulações mostram que a absorção de galáxias menores aumentou a massa da Via Láctea e aqueceu seu disco, criando camadas com composições químicas e idades distintas. Esse processo de fusões sucessivas foi decisivo para a estrutura que se observa atualmente.
Estrelas como arquivos históricos
Cada estrela guarda a assinatura química do ambiente onde nasceu. Ao comparar essas assinaturas, astrônomos distinguem estrelas formadas na Via Láctea daquelas capturadas em encontros violentos, reconstruindo um passado galáctico mais dinâmico do que se imaginava.
Origem dos principais elementos
Hidrogênio: criado no Big Bang, é o combustível primordial das estrelas.
Oxigênio: gerado em supernovas de estrelas massivas, é essencial para moléculas de água.
Imagem: Internet
Ferro: produzido em supernovas do Tipo Ia, constitui núcleos planetários.
Carbono: expelido por estrelas de massa intermediária, é base da química orgânica.
Simulação Vintergatan
O projeto Vintergatan permitiu recriar a evolução da Via Láctea com detalhamento sem precedentes. Os resultados ajudam a prever comportamentos futuros da galáxia e a entender como processos físicos e químicos moldam grandes estruturas cósmicas.
A compreensão dessas rotas químicas também esclarece por que o Sistema Solar surgiu em uma região relativamente tranquila e aponta áreas potenciais para a busca de sistemas semelhantes.
Com informações de Olhar Digital
