A Emulate, startup britânica fundada em agosto por ex-pesquisadores da Google DeepMind, negocia uma rodada de financiamento que pode chegar a US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,6 bilhões) e elevar sua avaliação para aproximadamente US$ 3,7 bilhões (R$ 19,1 bilhões).
Pessoas próximas às tratativas afirmam que a captação está em fase avançada e deve ser liderada pela britânica Index Ventures em parceria com a norte-americana Lightspeed Venture Partners, do Vale do Silício.
Fundadores e tecnologia
A empresa foi criada pelos pesquisadores Jack Parker-Holder, Matthew McGill e Philip Ball, que participaram do desenvolvimento do Genie, modelo de IA capaz de gerar vídeos realistas e ambientes 3D interativos a partir de instruções curtas. Lançado em janeiro, o Genie impactou o setor de videogames e contribuiu para a queda de valor de mercado de companhias como Take-Two, Roblox e Unity.
Os chamados “modelos de mundo”, capazes de compreender e reproduzir espaços físicos, representam uma nova fronteira da pesquisa em inteligência artificial e ainda contam com menos concorrência do que os grandes modelos de linguagem que impulsionam sistemas como ChatGPT, Gemini e Claude.
Mercado aquecido para neo-labs
A possível rodada da Emulate ocorre semanas após o cofundador da DeepMind, Sir Demis Hassabis, anunciar que deixará a função de diretor-executivo para assumir a presidência do conselho. O movimento reforça a tendência de criação de neo-labs — empresas de IA formadas por ex-pesquisadores de grandes laboratórios — que vêm atraindo bilhões de dólares em 2024.
No Reino Unido, a Emulate se tornaria o terceiro neo-lab surgido neste ano a garantir centenas de milhões de dólares em investimento, repetindo o caminho de iniciativas como a Ineffable Intelligence, do ex-pesquisador David Silver, que captou cerca de US$ 1 bilhão, e a Recursive Superintelligence, formada por ex-engenheiros da DeepMind e da OpenAI, que levantou mais de US$ 600 milhões.

Imagem: Primakov
Desafios à frente
Para startups de IA, os maiores custos envolvem o acesso a poder computacional para treinar modelos de alta complexidade e a contratação de pesquisadores de ponta em um mercado extremamente competitivo. Segundo o site Sifted, Parker-Holder e sua equipe já buscavam um aporte significativo desde a fundação da Emulate.
Por enquanto, a empresa opera em regime furtivo, sem presença pública ou produtos anunciados.
Com informações de Olhar Digital
