A Polícia Federal marcará, para esta terça-feira (30), às 14h, os depoimentos presenciais do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master; do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa; e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. As oitivas ocorrerão na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, sob a supervisão de um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli.
Conforme o planejamento, os três serão ouvidos separadamente. Encerradas as entrevistas, a delegada responsável avaliará se há necessidade de acareação. Inicialmente, Toffoli havia determinado o confronto de versões, mas, após críticas, a Corte informou que a decisão caberá à PF, com acompanhamento judicial. O processo tramita em sigilo, e o Supremo não detalhou as razões para a alteração do procedimento.
Na semana passada, o ministro rejeitou pedido da Procuradoria-Geral da República para cancelar a acareação. Já no sábado, em resposta a questionamento do Banco Central, destacou que Ailton de Aquino não é formalmente investigado, ainda que os fatos apurem a atuação da autarquia.
Tentativa de venda e suspeita de fraude
Os depoimentos estão ligados à tentativa de venda de 58 % do Banco Master ao BRB, anunciada em março de 2025 e vetada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano. Dois meses após o veto, Vorcaro foi preso e o BC decretou a liquidação da instituição, citando possíveis fraudes que somam cerca de R$ 12 bilhões.
A investigação começou na Justiça Federal do Distrito Federal, mas chegou ao STF depois que a PF encontrou documento mencionando uma negociação imobiliária envolvendo um deputado federal, fator que atraiu a competência da Corte.
Atuação do Banco Central sob análise
A decisão de liquidar o Banco Master foi unânime na diretoria colegiada do BC, incluindo o presidente Gabriel Galípolo. Internamente, porém, Ailton de Aquino teria sido o integrante que mais relutou, motivo pelo qual sua oitiva ganhou destaque.
Imagem: Wallace Martins
Registros do Fundo Garantidor de Crédito apontam quase 40 alertas sobre liquidez, balanços e outros riscos no Master; a PF quer saber se esses avisos foram ignorados ou minimizados. Também será investigado se houve divisão dentro do BC — parte defendendo intervenção imediata, parte propondo alternativas para manter o banco — e quem teria sustentado cada posição.
Durante a análise da proposta de compra pelo BRB, a área de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução detectou suspeitas de fraude em contratos de crédito consignado. Esses contratos teriam respaldado o repasse de aproximadamente R$ 12,2 bilhões do BRB ao Master antes de qualquer fusão, tema que também deve ser abordado nas oitivas.
Com informações de Gazeta do Povo
