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Lula promete destravar Ferrogrão e BR-319 e altera tom ambiental às vésperas da eleição

Brasília – A poucos meses das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que pretende acelerar simultaneamente dois empreendimentos logísticos na Amazônia: a ferrovia Ferrogrão e a rodovia BR-319. A mudança de postura contrasta com o discurso ambiental que marcou o início do terceiro mandato.

Visita ao Amazonas

Na terça-feira, 26 de maio, durante agenda em Iranduba (AM), Lula afirmou que “a BR-319 será a estrada mais moderna do mundo do ponto de vista ambiental” e garantiu que a Ferrogrão “vai sair do papel”. A agenda incluiu inspeção nas obras do Trecho Charlie da BR-319, em Borba (AM).

Detalhes dos projetos

A BR-319 liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). O governo estuda formalizar uma Parceria Público-Privada até 2028, com contrato de 20 anos e aporte estimado de R$ 20 bilhões da União.

Planejada para conectar Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), a Ferrogrão teve aval do Supremo Tribunal Federal em março de 2026, mas ainda depende de licenciamento ambiental e estudos técnicos complementares.

Reações políticas

Parlamentares da oposição e representantes do agronegócio acusam o Planalto de usar as obras como estratégia eleitoral. O vice-líder da oposição na Câmara, deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), disse que o país “não precisa de promessa reciclada em ano eleitoral, mas de obras concluídas”.

No Mato Grosso, o deputado Nelson Barbudo (Podemos-MT) atribuiu a guinada do governo a uma tentativa de reaproximação com o setor agrícola. Já a deputada Coronel Fernanda (PL-MT) afirmou que, sem “vontade política”, a decisão do STF não garante a execução da ferrovia.

Antecedentes

Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), tanto a Ferrogrão quanto a BR-319 foram classificadas como prioridades estratégicas. Organizações ambientalistas e parte da esquerda criticaram os projetos, citando risco de aumento do desmatamento e impactos sobre terras indígenas. À época, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, chegou a minimizar a importância da rodovia.

Críticas de ambientalistas e indígenas

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) anunciou que continuará contestando a Ferrogrão, alegando ausência de consulta prévia e de licença ambiental. No caso da BR-319, o Observatório BR-319 e o Observatório do Clima – rede que reúne 172 entidades – movem ação civil pública para anular a licença prévia concedida em 2022 e os editais de contratação sem licenciamento completo.

Argumentos do governo

O Executivo sustenta que os dois projetos podem reduzir emissões de gases de efeito estufa ao encurtar rotas de escoamento de grãos e diminuir o fluxo de caminhões na BR-163. Lula também afirma que as obras respeitarão critérios modernos de sustentabilidade.

Apesar das promessas, tanto a pavimentação da BR-319 quanto a implantação da Ferrogrão seguem dependentes de licenças, estudos técnicos e fechamento de modelagens financeiras.

Com informações de Gazeta do Povo

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