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Diretoria do Banco Central será totalmente indicada por Lula em 2026 e autarquia deixará de “telegravar” cortes ou altas da Selic

A partir de 1º de janeiro de 2026, o Banco Central (BC) passará a contar exclusivamente com diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os mandatos de Diogo Guillen, responsável pela Política Econômica, e de Renato Gomes, encarregado da Organização do Sistema Financeiro e Resolução, terminam em 31 de dezembro de 2025. Ambos foram nomeados durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Com a saída dos dois últimos diretores remanescentes da gestão anterior, Lula completará a renovação total da diretoria da autarquia. Até o momento, o Palácio do Planalto não anunciou quem assumirá as vagas, o que pode empurrar a sabatina dos nomes no Senado para depois do carnaval de 2026. Nesse intervalo, o Comitê de Política Monetária (Copom) funcionará incompleto ou com diretores interinos – justamente quando se discute o início do ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic).

Perda de quadros técnicos reforça incerteza

Guillen e Gomes são citados por analistas do BTG Pactual Asset Management como economistas de referência na formulação das regras de política monetária e de regulação bancária dos últimos anos. Guillen, em especial, redigia as atas e comunicados do Copom, textos que servem de guia para as expectativas do mercado. A troca gera dúvidas sobre o tom e a coerência das futuras comunicações.

A última vez que o Copom se reuniu com apenas sete de seus nove membros foi em março de 2024. Para investidores, repetir a experiência no início de 2026 amplia o risco de decisões menos previsíveis, além de sinalizar dificuldade política para preencher cargos considerados estratégicos.

Fim das “setas” na comunicação

Em declaração no início de dezembro, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição deixará de indicar nas atas qual será o passo seguinte da política de juros, prática conhecida como “setas”. Segundo ele, não existe obrigação de manter um “código” que antecipe movimentos da autarquia.

Na avaliação de Luiz Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, a mudança confere liberdade para o Copom reduzir a Selic já na reunião de janeiro – ou em encontros posteriores – sem precisar preparar o mercado com antecedência. A contrapartida é a menor previsibilidade, condição que tende a elevar a volatilidade dos juros futuros.

Mercado recorre a algoritmos

Para suprir a falta de sinais explícitos, grandes bancos têm recorrido a sistemas de inteligência artificial capazes de examinar milhares de frases de documentos oficiais. O Itaú desenvolveu uma ferramenta que classifica trechos como favoráveis a juros altos, baixos ou neutros. O algoritmo identifica tom mais brando nas comunicações recentes, embora ainda inclinado à manutenção de juros elevados.

Pressões internas e externas

A incerteza na condução da política monetária ocorre em um cenário marcado por:

  • Melhora da inflação corrente e crescimento fraco do PIB (0,1% no 3º trimestre de 2025), argumentos para iniciar cortes na Selic;
  • Inflação de serviços persistente e expectativas para 2025 e 2026 acima da meta, fatores que recomendam cautela;
  • Instabilidade internacional, com o Federal Reserve ajustando rapidamente sua estratégia de juros nos Estados Unidos.

Relatório da XP Investimentos ressalta que, para iniciar o ciclo de afrouxamento, o Copom precisará abandonar expressões consideradas rígidas, como “período bastante prolongado”. Sem os diretores que ajudaram a formatar tais mensagens – e com a nova diretriz de silêncio – aumenta o risco de interpretações divergentes, o que pode se refletir em prêmios maiores nos contratos de juros.

A autonomia do Banco Central pressupõe confiança na equipe técnica. Com uma diretoria formada integralmente por indicados do atual presidente e sem sinalizações prévias sobre a Selic, investidores e empresários deverão conviver, em 2026, com um nível de incerteza maior sobre a condução da política monetária no país.

Com informações de Gazeta do Povo

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