A revista britânica The Economist publicou nesta terça-feira, 30 de dezembro de 2025, um editorial defendendo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não concorra a um quarto mandato em 2026. O texto sustenta que candidatos com mais de 80 anos representam “riscos elevados” para a estabilidade política, ainda que sejam populares e experientes.
Lula completou 80 anos neste ano e, caso seja reeleito, encerraria o eventual novo mandato aos 85. Para a revista, carisma não é garantia contra o declínio cognitivo. O editorial cita o ex-presidente norte-americano Joe Biden, que abandonou a campanha de 2024 em meio a questionamentos sobre sua idade.
Fatores de desgaste
A publicação afirma que a idade se soma a outros pontos que desgastam o petista, como os escândalos de corrupção ocorridos em seus dois primeiros governos e o desempenho econômico considerado “medíocre” no mandato atual. Segundo a revista, muitos brasileiros ainda não perdoam o presidente pelos casos de corrupção revelados anteriormente.
Renovação política
O texto lembra que Lula prometeu, durante a campanha de 2022, não disputar novamente o Planalto, mas observa que ele ainda não sinalizou quem poderia ser seu sucessor na esquerda. Para a The Economist, a permanência de Lula no centro das atenções impede a renovação da política brasileira.
Direita em busca de candidato
Do outro lado do espectro, a revista descreve uma disputa acirrada para suceder o ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar de condenado, Bolsonaro ainda conta com forte apoio entre evangélicos e indicou o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como possível candidato — qualificado pelo editorial como “impopular e ineficaz”.
Imagem: Valter Campanato
Entre os nomes citados, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é apontado como “pensativo” e “democrata” e aparece melhor nas pesquisas contra Lula, mesmo sem ter formalizado candidatura. A diferença de idade entre Tarcísio e o atual presidente também é destacada pela publicação.
O editorial conclui que a eleição de 2026 será decisiva para o futuro do país e que uma disputa entre candidatos mais jovens, tanto à esquerda quanto à direita, poderia revigorar a democracia brasileira.
Com informações de Gazeta do Povo
