Brasília (DF) — A Polícia Federal indiciou Tatiane da Silva Alves Ferreira, 37 anos, por promoção de organização criminosa. Graduada em direito, mas reprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ela se apresentava como advogada e, segundo a investigação, ajudava integrantes do Bonde do Maluco (BDM) a se comunicar com um dos líderes do grupo, Jackson Antônio de Jesus Costa, preso no Complexo Penitenciário da Papuda.
Como funcionava o esquema
De acordo com o relatório policial, Tatiane atuava como “leva e traz”, repassando mensagens entre criminosos externos e Jackson, apontado como mandante da morte do policial federal Lucas Caribé, em setembro de 2023, durante operação em Salvador.
Conversas e chamadas telefônicas anexadas ao inquérito mostram contato frequente de Tatiane com a advogada Erica Priscilla da Cruz Vitorino, identificada como gerente do tráfico e namorada de Marlos Araújo Souza, o “Bolão”, outro líder do BDM.
Luxo nas redes e fuga
Nas redes sociais, Tatiane ostentava roupas, bolsas e relógios de grife e usava o nome “Tatiane Adv Silva”. Apesar de ter ficado foragida após a expedição de mandado de prisão, a ordem foi revogada pela Justiça. A falsa advogada é ex-esposa de um chefe da facção Comboio do Cão (CDC).
Participação de advogada habilitada
Erica Priscilla, inscrita na OAB e ex-mulher de policial, já tinha passagens por tráfico de drogas e comércio ilegal de armas. Ela foi presa em outubro de 2024, em Serrinha (BA), por intermediar recados entre Jackson e membros do BDM em liberdade. Atualmente responde em liberdade, mas teve o direito de advogar suspenso, assim como quatro colegas e um estagiário envolvidos no mesmo processo, que tramita em sigilo no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
Influência de Jackson na prisão
Mesmo detido, Jackson Antônio continuava a coordenar o BDM, ampliando a rede criminosa e mantendo contato com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Na Operação Cravante, deflagrada em 2024, a PF cumpriu seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão no Distrito Federal e na Bahia.
Imagem: advogada e ostentava uma vida de luxo
O que diz a OAB
A seccional da OAB foi acionada sobre o exercício ilegal da profissão por Tatiane, mas ainda não se pronunciou. A Secretaria de Administração Penitenciária do DF (Seape) informou haver indícios de que outros indivíduos também tenham se passado por advogados para acessar detentos.
Até a última atualização desta reportagem, Tatiane não havia sido localizada para comentar o caso.
Com informações de Metrópoles
